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07/Nov/2022

Crédito Rural: crescimento na demanda de custeios

O aumento dos custos de produção tem sustentado a forte demanda de agricultores e pecuaristas brasileiros por recursos para custear lavouras e criações e se refletido nos desembolsos de crédito rural das instituições financeiras. De julho a outubro, os quatro primeiros meses da temporada 2022/2023, foram acessados R$ 97,5 bilhões apenas para custeio, 49% a mais que no mesmo período do ciclo 2021/2022. Com isso, o desembolso total de crédito rural no intervalo chegou a R$ 146,7 bilhões, quase 21% mais que entre julho e outubro do ano passado. O ritmo de contratação aumentou nas demais modalidades, mas segue abaixo do observado no início da safra 2021/2022. O desembolso para linhas de investimentos, por exemplo, ficou em R$ 33,2 bilhões, ainda menos que os R$ 37,2 bilhões concedidos no mesmo período do ano passado. A elevação dos juros nesta temporada e a consequente redução do apetite no campo para investimentos podem explicar parte da redução.

Os desembolsos para comercialização (R$ 8,8 bilhões) e industrialização (R$ 7 bilhões) também continuam mais fracos do que nos quatro primeiros meses da temporada passada. O ministro da Agricultura, Marcos Montes, afirmou que não há falta recursos e que as reclamações dos produtores diminuíram. Segundo o ministro, os juros, em geral, aumentaram justamente para poder ajudar e proporcionar juro menor para agricultura familiar. Ele destacou que 70% do orçamento da equalização desta safra é para atender o pequeno produtor. As contratações de recursos no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor (Pronamp) de fato aumentaram em relação ao ano passado, também puxados pelo custeio. Os agricultores familiares acessaram R$ 16,1 bilhões nessa modalidade e os médios, R$ 24,3 bilhões. Nos investimentos, o Pronamp segue um pouco abaixo da performance de 2021/2022.

No Pronaf, os números já superaram o desempenho do ciclo anterior em quase R$ 150 milhões, alcançando R$ 8,7 bilhões agora. Os bancos públicos lideraram os desembolsos até outubro, com R$ 89,6 bilhões. Apenas o Banco do Brasil já liberou R$ 70,7 bilhões. As cooperativas de crédito mantiveram o bom desempenho dos primeiros meses e seguem à frente dos bancos privados no ranking, com quase R$ 30 bilhões emprestados até outubro. O Banco Central publicou um boletim de acompanhamento do crédito rural concedido até setembro no qual apurou uma deficiência de aplicação das exigibilidades do crédito rural de R$ 15,6 bilhões, principalmente dos depósitos à vista. O Banco Central também informou que o endividamento dos beneficiários do crédito rural no Sistema Financeiro Nacional (SFN) em agosto era de R$ 505 bilhões, ou 11% do total de operações. O boletim também mostrou como as taxas de juros aumentaram nesta safra na comparação com o ciclo passado.

No Pronaf, por exemplo, as linhas alimentadas com recursos obrigatórios têm juros médios de 5,8%, contra 3,9% na temporada anterior. Nas linhas da poupança rural com equalização, as taxas estão ainda mais caras para os agricultores familiares: 5,9% agora, ante 4,2% na safra 2021/2022. No Pronamp, os juros estão em 8% nas duas fontes. No ano passado, as taxas eram de 5,5% e 5,7%, respectivamente. Grandes produtores estão pagando, em média, 11,7% nas linhas com recursos controlados dos depósitos à vista e 10,9% nos programas alimentados pela poupança rural com equalização. Em 2021/2022, essas taxas eram de 5,9% e 7,4%, respectivamente. Financiamentos com recursos da poupança rural livre têm juros médios de 12,7% (eram 7,6% em 2021/22) e as linhas com recursos das Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) são acessadas a 12,5%, em média. Os juros livres estão em 12,9% ante 8% no ciclo passado. Fonte: Valor Online. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.