25/Oct/2023
O desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) de 2024 pode ser ameaçado pelo enfraquecimento da atividade econômica doméstica aguardado para o segundo semestre deste ano. A herança estatística menor é um dos motivos que pode consolidar esse cenário. Dados indicam um quadro de recessão técnica para a economia no segundo semestre, com recuos esperados 0,2% no PIB do terceiro trimestre e de 0,1% no quarto trimestre. Se confirmada as projeções e não alterados os dados já divulgados, o carrego estatístico para o PIB de 2024 seria de alta de 0,05%. Segundo o Banco BV, a economia iniciaria o ano tendo que correr um pouco atrás desse prejuízo para chegar ao menos no crescimento potencial, de 1,5%. O BV projeta recuos de 0,2% para o terceiro e quarto trimestre deste ano, o que implicaria em um carrego estatístico nulo (0,0%) para 2024. A projeção oficial do BV é de crescimento de 1,5% para o PIB do ano que vem.
A preocupação com o desempenho da atividade em 2024 também está no radar do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que tem reforçado que o ano que vem "será desafiador", em especial devido ao cenário externo. O ministro também pontuou em declarações recentes que há sinais de desaceleração forte na atividade doméstica desde o PIB do primeiro trimestre e que por isso é preciso ter atenção com o desempenho da economia. Entre os vetores que corroboram a desaceleração da atividade, destaque para a dissipação dos efeitos positivos do setor agropecuário. Além de contribuições menos positivas nos dois últimos trimestres deste ano, a projeção do BV é que o PIB agro cresça 1,3% no ano que vem, ante estimativa de expansão de 15% neste ano. O efeito da expansão fiscal que ajudou bastante em 2023 também tende a ser menor. Por outro lado, ainda há espaço consistente para quedas de 0,5% na Selic, o que deve a contrabalançar o cenário menos aquecido para a atividade em 2024.
É uma desaceleração, que sai de 2,8% (projeção de crescimento do PIB em 2023) para 1,5% em 2024, mas nada extraordinária; é um número perto do equilíbrio, de crescimento potencial. O Santander Brasil corrobora em parte a análise do BV, e cita que o carregamento mais fraco tende a gerar dificuldades para o crescimento no ano que vem. São duas contrações que deixariam uma herança pior; teria de vencer o carregamento estatístico negativo para termos crescimento mais alto em 2024. O Santander projeta recuos de 0,3% e 0,5% para o PIB do terceiro e quarto trimestres, o que deixaria um carrego de recuo de 0,3% para o ano que vem. Além do carregamento negativo, haverá menor contribuição do setor agropecuário para a economia em 2024. O Santander projeta alta de 1,5% para o PIB do setor agro em 2024, ante expectativa de alta de 13% neste ano. As projeções da GAP Asset são de recuo de 0,1% para o PIB do terceiro trimestre e de contração de 0,4% para os últimos três meses do ano, o que geraria um carrego estatístico negativo de 0,2% para a atividade em 2024.
O cenário contempla contribuições negativas do setor agropecuário para o PIB do terceiro e quarto trimestre deste ano, além de arrefecimento do desempenho dos demais setores, sobretudo dos serviços. Em relação a 2024, o cenário da GAP é de crescimento perto de 1,0% para o PIB, com perspectiva de desempenho ainda negativo no primeiro trimestre do ano que vem e recuperação à frente, como efeito do afrouxamento monetário. O crescimento pode até ser mais forte que 1%, mas não chegará perto de 2%. Além do carregamento estatístico negativo, em 2024 o PIB agropecuário deve crescer cerca de 0,3%, ante projeção de alta de 14% em 2023. Também não haverá os mesmos impulsos fiscais deste ano, garantidos pela PEC da Transição. E ainda existe possibilidade de contingenciamento dos gastos públicos, em caso de descumprimento da meta de déficit fiscal zerada em 2024. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.