09/Nov/2023
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima afirmou que o governo atual quer esforço máximo no combate ao desmate ilegal. Uma forma de fazer isso é através de incentivos econômicos. É possível compensar com reflorestamento o que houve de resíduo de área de desmate. Na negociação entre União Europeia e o Brasil para chegar a um acordo, a questão do desmate é essencial. É um debate importante porque, se por um lado é correta a interpretação de que os cidadãos europeus têm direito de escolher o que consumir, por outro lado existem regimes jurídicos internacionais que estabelecem princípios de negociação multilaterais entre países. Mais de 95% do desmatamento na Amazônia é ilegal e mais de 45% do desmate na Amazônia é feito por grandes produtores. Parte expressiva do desmate é feito por médios e grandes produtores. No Cerrado, a área desmatada também cresce de forma brutal, ainda que não fira a legislação.
Para a Marfrig Global Foods, é inadmissível que o Brasil não consiga até hoje rastrear um bovino, com consciência de seu caminho na cadeia. Em contrapartida, pequeno e médio produtor com baixa tecnificação pode ter dificuldade em seguir o Código Florestal. Uma forma de beneficiar a rastreabilidade seria vincular CAR com guia de trânsito animal. Legislações devem levar em conta a complexidade da pecuária brasileira. Falta conhecimento de causa do agronegócio do Brasil no exterior. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Brasil ser considerado de 'alto risco' pela União Europeia sobre questões ambientais afeta a imagem do País. A CNA é favorável ao acordo UE-Mercosul desde que ele garanta acesso efetivo ao mercado. Green deal, farm to fork e Acordo UE-Mercosul têm de ser vistos sob o mesmo âmbito. Para reforçar a importância do mercado europeu para o Brasil, a CNA citou que a União Europeia tem 16% de market share das exportações do agro brasileiro.
Em 2022, 50% do que o Brasil exportou de café foi para a União Europeia, assim como 14,5% da soja embarcada ao exterior naquele ano. Segundo a CNA, o agro que ser considerado parte da solução buscada na 28ª Conferência do Clima das Nações Unidas de Dubai (COP28). A Fundação Getúlio Vargas (FGV) destacou que o Brasil precisa reforçar a implementação do Código Florestal, garantindo que a agenda seja pacificada. É muito importante para o Brasil eliminar o desmatamento ilegal; isso dá um recado positivo à União Europeia. Como exemplo, pode-se citar o Cadastro Ambiental Rural (CAR) como útil para análise de risco do Brasil na União Europeia. Não adianta brigar com green deal na União Europeia, pois isso é uma tendência. A Agroicone defendeu a cooperação mútua em relação ao Acordo UE-Mercosul e ao Acordo de Paris. Se o green deal na União Europeia se replicar para outros países, se Estados Unidos, China, Reino Unido e União Europeia entrarem em green deal, haverá um peso grande para o Brasil. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.