14/Nov/2023
O encontro entre os presidentes dos Estados Unidos e da China, Joe Biden e Xi Jinping, nesta quarta-feira (15/11), pode ter consequências globais na economia. Juntas, as duas potências produzem mais de 40% dos bens e serviços mundiais, por isso, quando entram em batalha econômica, como têm feito nos últimos anos, o resto do mundo também enfrenta problemas. Por isso, a reunião entre os líderes gera esperanças de que os dois governos possam pelo menos amenizar algumas de suas tensões na cúpula da Cooperação Econômica da Ásia-Pacífico (Apec) que começou no domingo (12/11). O evento principal na cúpula será a reunião entre Biden e Xi, a primeira vez que os dois líderes vão conversar em um ano, período em que as tensões entre as duas nações pioraram. O governo norte-americano tentou diminuir as expectativas, dizendo para não se esperar avanços. No mesmo sentido, a Universidade Cornell sugeriu que a chance de declarar um resultado bem-sucedido é relativamente baixa. Evitar qualquer deterioração adicional na relação econômica bilateral já seria uma vitória para ambos os lados.
A economia mundial poderia se beneficiar de uma trégua entre Estados Unidos e China. Desde 2020, ela tem sofrido uma crise após outra (pandemia de Covid-19, inflação crescente, aumento das taxas de juros, conflitos violentos na Ucrânia e em Gaza). A economia global deve crescer modestos 3% este ano e 2,9% em 2024, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Ter as duas maiores economias do mundo em desacordo em um momento tão delicado exacerba o efeito negativo de vários choques geopolíticos que atingiram a economia mundial. O relacionamento econômico EUA-China vinha se deteriorando antes de eclodir em 2018, no governo de Donald Trump, que alegou que os chineses violaram compromissos feitos na Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001. Tarifas sobre as importações chinesas foram impostas para punir a China por supostas ações para suplantar a supremacia tecnológica dos Estados Unidos.
Muitos especialistas concordaram que a China se envolveu em ciberespionagem e exigiu que empresas estrangeiras entregassem segredos comerciais em troca do acesso ao mercado chinês. A China retaliou as sanções de Trump com suas próprias tarifas retaliatórias, tornando os produtos norte-americanos mais caros para os compradores chineses. Quando Joe Biden assumiu o cargo em 2021, ele manteve grande parte da política comercial de Trump, incluindo as tarifas à China. A taxa tributária dos Estados Unidos sobre as importações chinesas agora ultrapassa 19%, em comparação com 3% no início de 2018, antes que Trump impusesse suas tarifas. Da mesma forma, os impostos de importação chineses sobre os produtos dos Estados Unidos estão em até 21%, ante 8% antes do início da guerra comercial, segundo cálculos de Chad Bown do Instituto Peterson de Economia Internacional. De certa forma, as tensões comerciais entre Estados Unidos e China estão ainda mais intensas sob Biden do que estavam sob Trump. Um dos pontos de tensão foi a decisão da administração dos Estados Unidos de impor, e depois ampliar, controles de exportação destinados a impedir que a China adquira chips de computador avançados e o equipamento para produzi-los.
Em agosto, a China retaliou com suas próprias restrições comerciais: começou a exigir que exportadores chineses de gálio e germânio, metais usados em chips de computador e células solares, obtenham licenças do governo para enviar esses metais para o exterior. O governo norte-americano insiste que não está tentando minar a economia da China. No dia 10 de novembro, a secretária do Tesouro, Janet Yellen, se encontrou com seu homólogo chinês, o vice-premier He Lifeng, em São Francisco, buscando preparar o terreno para a cúpula. O desejo mútuo, tanto da China quanto dos Estados Unidos, é criar um campo de jogo nivelado e relações econômicas contínuas, significativas e mutuamente benéficas, afirmou Yellen. Xi também tem motivos para tentar restaurar a cooperação econômica com os Estados Unidos, com a economia chinesa sob forte pressão. O mercado imobiliário desabou, o desemprego juvenil está desenfreado e o ânimo do consumidor está baixo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.