07/Oct/2024
O pacote de medidas monetárias anunciado pelo governo da China nas últimas duas semanas elevou as chances de o país atingir a meta de crescimento "próxima a 5%" para 2024. Contudo, economistas acreditam que o ritmo de expansão do produto interno bruto em 2025 deverá diminuir devido à falta de ações oficiais estruturais para enfrentar a crise do setor imobiliário. O Banco ANZ estima que as recentes medidas que reduzem restrições para a compra de imóveis e injetam recursos do banco central do país no mercado financeiro ajudarão o PIB a crescer 4,9% neste ano. Mas, para 2025, a previsão é de desaceleração a 4,3%. Ainda faltam ações mais profundas pelo governo central para que o crescimento no próximo ano tenha uma expansão ao redor de 5%.
O quadro econômico poderia melhorar muito se uma autoridade do banco central chinês (PBoC) ou do Ministério das Finanças viesse a público para informar que o Poder Executivo tem um plano e fará tudo o for necessário para que os preços de imóveis estabilizem ou registrem um leve crescimento em 2025 e 2026. Os valores de mercado de imóveis na China devem cair 10% neste ano, depois de uma retração de 6% em 2023. Para os investimentos na construção de residências em 2024, a projeção é de uma queda de 10%, após um recuo de 9,6% no ano anterior. Para o UBS, a China deverá ter um crescimento de 4,0% em 2025. As exportações ficarão mais fracas do que em 2024, devido à redução da velocidade do nível de atividade global, especialmente com a desaceleração dos Estados Unidos. No próximo ano também deverão continuar as fracas expectativas dos cidadãos e das empresas para as perspectivas da economia, o que atrasa o consumo e os investimentos.
Neste contexto, diminuirá o ritmo para as indústrias ampliarem a formação bruta de capital fixo, o que deve colaborar para a menor geração de empregos e expansão da renda real das famílias. Há um consenso dos especialistas que o governo da China precisará adotar logo fortes medidas fiscais para melhorar o cenário de expansão do PIB em 2025. Uma emissão de 2 trilhões de renminbis em títulos públicos federais para expandir projetos de infraestrutura por diversas cidades que estão com problemas de receitas, motivados pela crise do setor imobiliário, é uma iniciativa viável que poderá ser anunciada em poucas semanas, aponta o Banco Natixis. Mas, a China precisa de um estímulo fiscal bem maior, perto de 8 trilhões de renminbis, para permitir uma expansão mais firme do produto interno bruto que não ocorre desde a pandemia.
Na avaliação do Banco Société Generale, como a China terá um baixo impulso fiscal neste ano (déficit público consolidado do país como proporção do PIB deve atingir 7,5%, ante 7% em 2023), a administração do presidente Xi Jinping precisará de mais gastos públicos em 2025 para manter o ritmo do crescimento do produto interno bruto. E para isso, é fundamental adotar ações para melhorar a confiança dos cidadãos no mercado de residências, dado que perto de 60% da poupança das famílias no país estão aplicadas em imóveis. É muito importante terminar a queda dos preços das casas. Para isso, é necessário o governo prover novas linhas de funding para as incorporadoras concluírem projetos já iniciados, mas que pararam por falta de recursos, o que afeta a confiança dos consumidores para comprar imóveis.
O governo também poderia comprar unidades para reduzir o estoque de propriedades e depois poderia alugá-las para pessoas que migram de regiões rurais para diversas cidades pelo país. Para a Moody 's Analytics, o problema de baixa confiança dos cidadãos e de empresas para as perspectivas da China pode ser combatido se houver redução do peso do setor imobiliário e das exportações de manufaturados no modelo econômico do país. Em contrapartida, deve ocorrer o aumento da participação do consumo das famílias e do setor de serviços. Seria relevante fortalecer o mercado de trabalho não apenas para os jovens, que enfrentam uma elevada taxa de desemprego. E isto poderia ocorrer com uma melhora expressiva da rede de proteção social em termos nacionais, com um grande aumento de investimentos públicos nas áreas de previdência social, saúde e educação. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.