11/Oct/2024
A inflação nos Estados Unidos voltou a dar sinais de maior aquecimento em setembro, superando as projeções do mercado. Em paralelo, pedidos de auxílio-desemprego semanais vieram acima do esperado, o que voltou a desencadear preocupações com o mercado de trabalho no país, e que deve sofrer novo impacto pelo furacão Milton, na sequência do Helene. Como consequência, o mercado reforçou as apostas de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) agirá com mais parcimônia quando for decidir o rumo dos juros em sua próxima reunião, em novembro. O índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos subiu 0,2% em setembro ante agosto, conforme dados com ajustes sazonais publicados nesta quinta-feira (10/10) pelo Departamento do Trabalho.
O ritmo veio acima da mediana de 0,1%, conforme esperavam analista. Na comparação anual, o avanço foi de 2,4%, também acima das expectativas que apontavam alta de 2,3%. O núcleo do CPI, que exclui itens voláteis como alimentos e energia e é acompanhado de perto por investidores, também surpreendeu para cima. Em setembro, o indicador subiu 0,3% ante agosto, além da previsão de aumento de 0,2%. No ano, o acréscimo foi de 3,3% ante projeção de 3,2%, na mesma base de comparação. De acordo com o Santander, houve uma quantidade "tremenda" de ruídos na inflação de setembro, com uma série de categorias-chave com oscilações surpreendentemente acentuadas, algumas para cima, outras para baixo. O núcleo do CPI nos Estados Unidos pode estar se movendo na direção certa em uma base de tendência.
Mas, está fazendo isso mais lentamente do que a maioria dos diretores do Fed parecem acreditar. Além disso, novos dados laborais nos Estados Unidos voltaram a reacender temores no mercado. O número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos subiu 33 mil na semana encerrada em 5 de outubro, para 258 mil, no maior patamar desde agosto de 2023. O resultado veio bem acima da expectativa de analistas consultados pela FactSet, que previam 229 mil solicitações. O Jefferies diz que parte do aumento nos pedidos pode ter sido causado pelo furacão Helene, que atingiu o sudeste dos Estados Unidos recentemente. No entanto, em estados como Michigan, onde as solicitações aumentaram 9,5 mil, ou Ohio, com a adição de 4,3 mil, há motivos de preocupação.
Parece ser devido a fatores mais permanentes, como fechamentos de fábricas. E, na sequência do Helene, o Milton pode ser um dos piores furacões que já atingiram a Flórida nos últimos tempos, o que deve ampliar o impacto no mercado de trabalho das regiões atingidas. Segundo a Capital Economics, os pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos aumentarão ainda mais nas próximas semanas, antes de finalmente diminuírem novamente. O Jefferies considera que é "muito cedo" para tirar conclusões sobre a folha de pagamentos de outubro. Mas, alerta: normalmente, quando os pedidos ou a taxa de desemprego começam a aumentar, eles tendem a subir rapidamente. Além disso, à medida que há um ponto de virada econômico, o mercado de trabalho geralmente conta a "história verdadeira", diz o CIBC Economics.
A combinação de preços mais fortes e emprego mais fraco causou novo ajuste nas expectativas de investidores quanto ao rumo dos juros no país. As chances de um corte de 0.25% na reunião de novembro voltaram a disparar, chegando a 88,4% ante 76,2% antes da divulgação, mostra levantamento da plataforma do CME Group. Já a probabilidade de uma manutenção nas taxas foi a 11,6% contra 23,8%, nesta ordem. O CPI levantou preocupações com o índice de preços de gastos com consumo (PCE), medida preferida do Fed, que será divulgada no fim do mês, antes da próxima reunião do Fed, entre 6 e 7 de novembro. Mas, ainda assim, o mercado está mais inclinado para um corte de 0,25%. Segundo o Bank of America, apenas uma leitura dos preços muito firme levaria o Fed a considerar uma pausa em novembro com base apenas na inflação.
O cabo de guerra entre os preços e o desemprego vem na sequência da publicação da ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), em setembro, que marcou o início da queda dos juros no país. Na ocasião, a autoridade optou por um corte de 0,50%. No entanto, o documento mostrou que os membros estavam muito mais divididos do que a decisão apontou, com muitos defendendo uma redução menor, de 0,25%. Apesar disso, os dirigentes do Fed têm reforçado o coro de que os riscos da inflação nos Estados Unidos se reduziram. O presidente do Fed de Nova York, John Williams, disse que vê as expectativas de inflação bem ancoradas. Para ele, o indicador deve cair a 2,25% no fim deste ano, e encerrar 2025 perto da meta da autoridade, de 2% ao ano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.