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14/Oct/2024

Momento de desafios para o agronegócio brasileiro

Vazio sanitário finalizado em diversas regiões no Brasil e ainda assim observamos um ritmo de plantio de soja bastante atrasado frente ao normal, intensificando as preocupações das famílias produtoras rurais e dos participantes do ecossistema do agronegócio nacional. O início de temporada ocorre em meio às perdas e aos transtornos e efeitos das queimadas, com perdas de safra, nutrientes no solo, danos a maquinário e instalações, culminado em um momento de estiagem severa em vários Estados brasileiros que são importantes produtores de alimentos e também com o nível de rios registrando baixa histórica e de muitas especulações sobre a entrada de uma La Nina em setembro. Este é o retrato atual das condições materiais neste início de temporada.

Fora isso, no macro, turbulências econômicas com o aumento massivo dos números de pedidos de recuperação judicial se traduzem em prejuízos financeiros aos participantes do mercado indo desde os produtores rurais, passando pelos canais de distribuição de insumos, prestadores de serviços, cerealistas, cooperativas, indústrias, tradings e comércio das cidades que do agronegócio dependem. Para onde produtores rurais recorrerão ao crédito, direto ou indireto? Qual o grau de confiabilidade entre os participantes? Quais garantias estão liberadas para novas tratativas? Afinal, a temporada anterior ceifou o fôlego, comprometendo resultados financeiros em razão da grande perda produtiva pela seca na safra verão em estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Goiás, Tocantins entre outros, bem como pelas chuvas desastrosas no Rio Grande do Sul.

Outro desafio do momento vem da gestão de comercialização. Com as perdas da safra 2023/2024, o mercado, no geral, lá atrás, ainda em 2023, adotou uma postura retraída de vendas em um momento de preços altos na Bolsa de Chicago e no mercado doméstico para entender quais seriam as perdas e os efeitos que esta causaria na formação de preços. Mas com a inversão da tendência de preços após entregas renegociadas, parte da soja brasileira começou a ser negociada com maior fluidez na faixa de US$ 11,50 bushel. Novamente oportunidades foram descartadas numa expectativa de maiores preços. Neste início de safra, observamos um porcentual de venda para 2025 aquém do normal, tanto na soja quanto no milho, exatamente pela mesma postura de cautela frente ao clima adverso na América do Sul e possibilidade de áreas que migrem para algodão ou que prejudiquem o plantio do milho 2ª safra.

Neste momento em que os preços das commodities agrícolas estão no meio de um ciclo de baixa, o foco dos produtores é plantar. No entanto, oportunidades podem surgir. O mercado agro absorve e processa fundamentos de outros mercados e por isso mesmo está atento às questões geopolíticas que podem influenciar nas questões cambiais, mas também precisa estar atento para aumento de custos não apenas porque o País importa insumos, mas também porque depende dos preços internacionais de frete marítimo nas operações de exportação e importação. Nestes casos o custo da segurança no transporte é imediatamente repassado à primeira parte da cadeia, que são os produtores rurais, para, na sequência, serem absorvidos em cascata pelos demais participantes.

Em paralelo a isso, a definição política nos Estados Unidos que está prestes, com as eleições presidenciais, será um fator de definição de tendência. Importante ressaltar que a guerra comercial entre Estados Unidos e China iniciada pelo presidente Donald Trump e abafada pela gestão de Joe Biden pode ser retomada com a reeleição de Trump ou eternamente encapsulada com a vitória de Kamala. A eleição de Trump, que carrega um discurso nacionalista bastante intenso, conferiria, grosso modo, maior competitividade a commodities da América do Sul e a eleição de Kamala seria, em parte, o oposto, uma vez que não apresentou como meta de campanha maiores interferências que envolvam as relações internacionais.

Neste momento de definição de tendências e elaboração de estratégias é preciso também avaliar como fundos de investimentos ainda vendidos em commodities se comportarão com a nova janela de redução de juros, recém retomada nos Estados Unidos. Dinheiro novo pode sair do financeiro e títulos para migrar para os agrícolas ou moedas? Estes são alguns dos pontos de observação que o mercado agro brasileiro deve monitorar. Nossa maior fala destaca a autodisciplina quanto a gestão comercial e, neste segmento, informações são no geral a chave para a tomada de decisões. Informações rasas ou incompletas, tendenciosas ou especulativas podem representar uma péssima decisão justamente em um ano no qual os prejuízos são impactantes. Fonte: Andrea Cordeiro. Broadcast Agro.