07/Nov/2024
Após superar os R$ 5,86 no início da sessão desta quarta-feira (06/11), na esteira da vitória de Donald Trump na disputa presidencial dos Estados Unidos, o dólar perdeu força no Brasil e fechou em queda firme, abaixo de R$ 5,70, com investidores à espera de medidas efetivas do governo Lula para conter gastos. A disparada de ordens de “stop loss” (parada de perdas) no mercado também favoreceu a queda do dólar ante o Real, ainda que no exterior a moeda norte-americana sustentasse fortes altas ante as demais divisas. O dólar fechou em baixa de 1,21%, cotado a R$ 5,67. No ano, porém, a divisa acumula alta de 17,02%. O início da sessão foi de forte pressão para o dólar e as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) no Brasil, em sintonia com a disparada da moeda norte-americana e dos rendimentos dos Treasuries no exterior.
O movimento ocorria em meio à percepção de que várias políticas de Donald Trump serão inflacionárias e, ao mesmo tempo, favoráveis à moeda norte-americana, entre elas a alta de tarifas de importação, o bloqueio a imigrantes e a redução de impostos. Assim, o dólar atingiu o pico de R$ 5,86 (+1,98%), logo após a abertura. No entanto, a moeda norte-americana foi perdendo fôlego ante o Real, em meio à leitura de que, com Donald Trump na presidência dos Estados Unidos, restará ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciar medidas concretas de contenção de gastos para aliviar a pressão. Declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, contribuíram para a perda de força do dólar. Segundo ele, a rodada de reuniões entre ministros para tratar das medidas fiscais está concluída e o próximo passo do presidente Lula provavelmente será pedir conversas com os presidentes das duas Casas do Congresso, para que se discuta o envio das medidas fiscais aos parlamentares.
Haddad afirmou que os ministros todos estão muito conscientes da tarefa de reforçar o arcabouço fiscal, da previsibilidade e da sustentabilidade das finanças no médio e longo prazo. Há um consenso em torno do princípio. No mercado de câmbio, alguns agentes também aproveitaram as cotações mais elevadas para vender divisas, o que contribuiu para as cotações cederem. No início da tarde, o dólar já oscilava em baixa ante o Real, na contramão do avanço forte da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes. Houve ainda disparada de ordens de stop de investidores comprados (posicionados na alta da moeda norte-americana) quando o dólar para dezembro tocou níveis abaixo dos R$ 5,74, amplificando a queda também no segmento à vista. Neste cenário, o dólar atingiu a mínima de R$ 5,66 (-1,43%), para depois encerrar pouco acima disso.
Da máxima para a mínima a moeda norte-americana oscilou R$ 0,20, em um sinal de forte volatilidade. As atenções agora se voltam para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sobre juros. A expectativa majoritária do mercado é de alta de 50 pontos-base da Selic, para 11,25% ao ano, mas investidores estarão atentos ao comunicado da decisão. Esta quinta-feira (07/11) ainda promete ser um dia de volatilidade alta no câmbio, com os desdobramentos da eleição norte-americana, a decisão do Copom e o anúncio do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) sobre juros fazendo preço. O Fed decide nesta quinta-feira (07/11) sua nova taxa de juros. O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas, subia 1,65%, a 105,070. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.