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13/Nov/2024

COP29: os países ricos e o financiamento climático

A Cúpula das Nações Unidas sobre Clima (COP29) foi oficialmente aberta na segunda-feira (11/11), em Baku, no Azerbaijão. Em uma edição que está sendo chamada como “COP das Finanças”, a maior autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) nessa área defendeu que “não é caridade” a destinação de recursos de países ricos para que as nações em desenvolvimento façam a adaptação climática e a transição para fontes de energia de menor impacto ambiental. “Se países não conseguirem construir resiliência nas cadeias de suprimento, toda a economia global será colocada de joelhos. Nenhum país está imune”, declarou Simon Stiell, secretário executivo do Clima da ONU.

“É hora de mostrar que a cooperação global não está em baixa.” A conferência começou sob pessimismo, após o fracasso em negociações anteriores, como a Cúpula da Biodiversidade, na Colômbia, que terminou sem consenso sobre criar um fundo global para proteção da natureza. Além disso, a volta de Donald Trump para presidência dos Estados Unidos a partir de janeiro sinaliza mais dificuldades para os próximos anos. No primeiro mandato (2017-2021), ele tirou os Estados Unidos do Acordo de Paris, pacto assinado por quase 200 países para frear o aquecimento global. O evento ocorre ainda sem grandes líderes, como os presidentes norte-americano (Joe Biden), brasileiro (Luiz Inácio Lula da Silva), francês (Emmanuel Macron) e alemão (Olaf Scholz).

O secretário do Clima defendeu que não basta a concordância dos países pelo financiamento, mas que é necessário trabalhar duro para mudar o sistema de financiamento global, dando espaço fiscal para que haja a mudança. Nesse aspecto, citou que cerca de dois terços das nações não conseguem bancar a redução de emissões rapidamente e, por isso, todo o mundo “paga um preço brutal”. Há anos, os países discutem como os recursos devem chegar aos países em desenvolvimento, de modo que não causem endividamento. Uma parte é subsidiada a juros baixos, mas não tudo. “Vamos dispensar qualquer ideia de que financiamento climático é caridade.

Uma ambiciosa nova meta climática é totalmente de interesse de todas as nações, incluindo as maiores e mais ricas.” Nas reuniões pré-COP, não houve avanço nesse âmbito. Vários aspectos do “Novo Objetivo Coletivo Quantificado sobre Financiamento Climático” (NCQG) precisam ser definidos. Entre eles, o Ministério do Meio Ambiente destacou no mês passado o valor, visto que estudos apontam para a necessidade de pelo menos cerca de US$ 1 trilhão, dez vezes mais do acordado até este ano. Em seu discurso, o presidente da COP29, Mukhtar Babayev, mencionou desastres naturais ocorridos em diversas partes do mundo neste ano, como a recente enchente na Espanha. As pessoas estão sofrendo e precisam mais do que compaixão e orações, mas de liderança e ação.

O líder da delegação dos Estados Unidos, John Podesta, iniciou a sua primeira fala pública com o que disse ser o “tópico que está na mente de todos”: a vitória de Donald Trump no pleito americano. Em janeiro, será empossado um presidente cuja relação com a mudança climática é capturada pelas palavras ‘farsa’ e ‘combustíveis fósseis’. Para ele, “está claro que o próximo governo tentará reverter grande parte do progresso na agenda ambiental. Por outro lado, reforçou o posicionamento de parte dos países ricos de que o financiamento climático deve ser responsabilidade de mais atores globais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.