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26/Feb/2025

Brasil poderá ser afetado pelas tarifas dos EUA

Segundo o escritório Barral Parente Pinheiro Advogados, os produtores brasileiros agrícolas e de manufaturados podem ser afetados pelas decisões tarifárias de Donald Trump, cuja previsão já é de possivelmente afetar o aço e o etanol brasileiro. A aplicação de tarifas recíprocas ainda pode criar incertezas em especial para itens como a carne bovina. O alerta deve-se a um recente documento emitido pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O ofício do órgão norte-americano pede que empresas, entidades e indivíduos enviem comentários ao USTR para auxiliar na identificação de países que aderem a práticas comerciais "desleais", na visão dos Estados Unidos. Eles terão até 11 de março para escrever ao governo Trump. À medida que o governo dos Estados Unidos se prepara para implementar essas políticas, é fundamental que os exportadores brasileiros compreendam os impactos potenciais para seus respectivos setores, especialmente no contexto das medidas protecionistas em curso defendidas por Donald Trump.

Sendo um grande fornecedor de commodities e produtos agrícolas, como café, soja, e carnes, o Brasil deverá acompanhar de perto as ações dos Estados Unidos, já que as políticas de Donald Trump podem afetar os fluxos comerciais. Além de etanol e aço, outros setores podem ser afetados, como produtos agrícolas e manufaturados. A aplicação de tarifas de reciprocidade também pode criar incertezas, especialmente para produtos como carne bovina, onde o Brasil já possui tarifas elevadas e enfrenta desafios com a adequação às normas internacionais e de segurança alimentar. No documento emitido pelo USTR no dia 20 de fevereiro, o governo norte-americano volta a citar diretamente o Brasil ao mencionar países nos quais está “particularmente interessado” em ouvir contribuições dos empresários sobre as práticas comerciais.

“O USTR está particularmente interessado em submissões relacionadas às maiores economias comerciais, como os países do G20, bem como aquelas economias que têm os maiores déficits comerciais em bens com os Estados Unidos, incluindo Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, União Europeia, Índia, Indonésia, Japão, Coreia, Malásia, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Suíça, Taiwan, Tailândia, Turquia, Reino Unido e Vietnã. Esses países cobrem 88% do comércio total de bens com os Estados Unidos”, cita o órgão, embora a balança comercial entre Estados Unidos e Brasil seja positiva para os norte-americanos. Entre as potenciais implicações para o comércio do Brasil, pode-se citar também o foco do governo dos Estados Unidos no aumento de tarifas sobre o etanol, que pode representar desafios para o setor brasileiro.

A proposta de Donald Trump de tarifas 'recíprocas' poderia resultar na redução das importações de etanol brasileiro caso as autoridades dos Estados Unidos determinem que as tarifas brasileiras sobre o etanol norte-americano são muito altas. No caso do segmento siderúrgico, que já vende aos Estados Unidos no sistema de cotas desde o primeiro mandato de Trump, a previsão é de que o setor poderá ter de lidar com uma intensificação das barreiras comerciais. No sentido do que o Brasil pode fazer para mitigar os efeitos da política de Donald Trump, é importante que o governo entenda as implicações reais para seus exportadores e mantenha um canal de comunicação aberto e relações diplomáticas estáveis com a gestão do republicano. O País pode utilizar sua posição estratégica e a forte relação comercial em setores chave, como o minério de ferro e a produção de alimentos, para negociar exceções e reduzir os impactos negativos das tarifas. Também a utilização da Organização Mundial do Comércio (OMC) pelo Brasil, embora, pelo estado atual de apelação da OMC, essa via pode ter sua eficácia comprometida.

O diálogo com contrapartes privadas nos Estados Unidos, análise de mercados alternativos e avaliação de desvio de comércio que possa direcionar sobreprodução de outros países para o mercado brasileiro devem ser considerados. Para o Brasil, a chave será agir com cautela, monitorando de perto os desenvolvimentos e buscando uma solução baseada no diálogo e no respeito às regras multilaterais. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) afirmou que os Estados Unidos são o parceiro comercial com quem o País tem a "melhor relação", embora o fluxo comercial com a China seja maior. A balança comercial com os norte-americanos é mais equilibrada do que o comércio com a China, com a exportação de uma boa quantidade de produtos industrializados para os Estados Unidos. Em relação às tarifas sobre o aço impostas pelos Estados Unidos, deverá haver a fixação de cotas, assim como foi feito durante o primeiro mandato de Donald Trump. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.