21/Jan/2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou a sua ofensiva diplomática e comercial contra a Europa nesta terça-feira (20/01), ameaçando impor uma tarifa de 200% sobre os vinhos e champanhes franceses. A medida foi anunciada como uma retaliação direta à recusa do presidente francês, Emmanuel Macron, em integrar o recém-proposto "Conselho da Paz", uma iniciativa liderada por Trump que tem por objetivo abordar conflitos globais, começando pela Faixa de Gaza, mas que tem causado controvérsia por incluir líderes autocratas e potencialmente esvaziar o papel das Nações Unidas. Trump minimizou a relevância política de Macron, afirmando que "ninguém o quer porque ele vai sair do cargo muito em breve", em uma referência às eleições francesas previstas para 2027. O líder norte-americano foi taxativo quanto à estratégia de coerção econômica:
"Vou colocar uma tarifa de 200% sobre os vinhos e champanhes dele e aí ele entra", disse Trump, acrescentando que, embora a adesão de Macron não seja estritamente necessária, a pressão tarifária seria aplicada para forçar uma mudança de posição. Atualmente, os vinhos e bebidas como champanhe da União Europeia enfrentam uma tarifa de 15% nos Estados Unidos, e a França pressiona pela redução a zero após acordos comerciais assinados no verão passado. A reação francesa às ameaças foi imediata. A ministra da Agricultura de França, Annie Genevard, classificou as declarações de Trump como "brutais e inadmissíveis". A ministra condenou o uso de armas econômicas para fins políticos, visando o orgulho nacional francês. Genevard apelou à unidade do bloco europeu para resistir à pressão, lembrando que a União Europeia representa um mercado de 500 milhões de consumidores e deve confiar na sua força econômica para responder a este tipo de agressão comercial.
A tensão diplomática escalou ainda mais com a publicação, por parte de Trump em rede social, de uma mensagem privada enviada por Macron. Na captura de tela divulgada, Macron tratava Trump por "amigo", sugeria um jantar em Paris e propunha reuniões com a Rússia e a Ucrânia. No entanto, o líder francês também questionava abertamente a política norte-americana para o Ártico: "Não percebo o que está a fazer com a Groenlândia". A questão da ilha dinamarquesa tem sido um ponto de tensão, com Macron a adotar uma postura mais rígida do que outros líderes da União Europeia, chegando a enviar tropas francesas para a região em apoio à Dinamarca contra as tentativas de influência dos Estados Unidos. Emmanuel Macron ressaltou que são "inaceitáveis" as tarifas progressivas sugeridas pelo presidente norte-americano contra os europeus e, por isso, sugeriu não aceitar "a lei da parte mais forte", em discurso preparado para o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, nesta terça-feira (20/01).
"A competição com os Estados Unidos busca subordinar a Europa, o que é inaceitável. Aceitar passivamente uma nova subordinação dos Estados Unidos não faria sentido", disse. "Não faz sentido ameaçar seus aliados com tarifas", afirmou. Macron disse que os europeus devem fortalecer seus instrumentos de retaliação comercial, destacando que o instrumento anticoerção é "poderoso" e eles não devem hesitar em usá-lo. Diante disso, o líder francês ponderou que é importante diversificar parceiros comerciais, mencionando a importância de construir novas relações com países emergentes, incluindo o Brics (Brasil, Rússia, China e África do Sul), e que os europeus precisam de mais investimentos da China em setores-chave. Para o presidente francês, as guerras comerciais levam a posições de perdas e o multilateralismo está enfraquecido atualmente. No entanto, os europeus devem permanecer comprometidos com cooperação no continente, sendo "essencial" preservar o multilateralismo.
"A competitividade europeia ainda está atrás da dos Estados Unidos, ao contrário dos norte-americanos, ainda enfrentamos baixo investimento privado. A Europa precisa responder aos seus problemas de baixo crescimento", acrescentou, ao mencionar que, ainda que a Europa possa "ser lenta", é previsível e segue as leis do Direito, "o que hoje é uma vantagem". A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que, em relação à segurança do Ártico, a União Europeia está "completamente comprometida", em discurso no Fórum Econômico de Davos, nesta terça-feira (20/01). Segundo ela, os europeus estão preparando a sua própria estratégia de segurança e reforçando posição para o Ártico. Em relação à sinalização do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar tarifas progressivas contra oito países europeus por conta da questão da Groenlândia, ela classificou como um "erro", especialmente considerando que são aliados históricos.
Ela destacou que a resposta do bloco será "estratégica e proporcional". Von der Leyen ainda afirmou que os europeus estão trabalhando em grande aumento de investimentos europeus na Groenlândia e defendeu que a ilha e o próprio Reino da Dinamarca devem ser responsáveis por decidir o próprio futuro. O Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, disse nesta terça-feira (20/01) que a decisão do presidente Donald Trump de impor tarifas a países europeus é "apropriada" e pode dar início às negociações sobre a Groenlândia. Trump pressiona por um acordo para a "compra completa e total" da Groenlândia. Greer também criticou a postura dos países europeus em relação ao andamento do acordo comercial da União Europeia com os Estados Unidos assinado no ano passado. Para ele, o bloco europeu não fez nada para que a nova medida avançasse, e que está suspensa desde o anúncio das tarifas de Trump sobre a Groenlândia.
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, disse se opor "fortemente" às tarifas contra países por conta da questão da Groenlândia e defendeu a soberania da Dinamarca e da ilha, bem como o direito de decisão do próprio futuro, em discurso preparado para o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, nesta terça-feira (20/01). Carney ressaltou que o comprometimento canadense com o Artigo 5 da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que estabelece o princípio da defesa coletiva, é "inabalável" e que estão trabalhando para reforçar a segurança no Norte e no Leste do grupo. "Dobraremos gastos com defesa até fim da década, fortalecendo indústria local", afirmou, ao mencionar que o Canadá está aumentando sua força e resiliência domesticamente. Diante do cenário, Carney ponderou que não quer escolher entre hegemonias e que apoia a construção de cadeia segura de minérios críticos. Ao terminar o discurso, Carney foi aplaudido de pé e, ao seguir para a rodada de perguntas e respostas, acrescentou que a Rússia é uma ameaça real no Ártico e, por isso, é necessário proteção da região.
Mark Carney afirmou que os Estados Unidos são uma "boa conexão", mas ressaltou a importância de outros países e blocos econômicos emergentes, incluindo a China, Índia, Tailândia e o Mercosul. Ele mencionou que a hegemonia norte-americana fornece estabilidade financeira, "em troca de outros sacrifícios", mas que essa "barganha" não funciona mais, em meio à ruptura da integração global. Carney disse que países estão utilizando tarifas como "armas e vulnerabilidades a serem exploradas", sem se referir diretamente aos Estados Unidos. "A arquitetura da resolução de problemas está sob ameaça. Todos os países chegaram à conclusão de que precisam construir maior autonomia, porque quando as regras não te protegem mais, você precisa se proteger", afirmou. Para Carney, diante do cenário, a ordem mundial está ameaçada, não voltará a ser a mesma e, por isso, é o momento "de criar uma nova". O premiê canadense ainda afirmou que países não ficam sem poderes sem os Estados Unidos, sendo capazes de criar essa "nova ordem" com integridade territorial e soberania.
"Vivemos uma guerra com grande rivalidade de poderes em que os fortes acham que podem fazer o que querem e os mais fracos devem sofrer. Compliance não irá mais comprar segurança", afirmou. Segundo ele, aceitar decisões de outros países mais fortes "simplesmente por aceitar" não é soberania, mas uma "performance de soberania" e, atualmente, há grande rivalidade de poderes entre as nações. "Integridade e regras precisam ser resilientes", acrescentou. O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, defendeu uma diminuição das tensões diante do embate tarifário nas negociações sobre a Groenlândia entre Estados Unidos e Europa. Autoridades da Europa e dos Estados Unidos falam em retaliações mútuas. A Finlândia é um dos oito países que serão afetados pelas tarifas de Trump. Ao adotar um tom mais cauteloso, Stubb também pediu por uma aproximação maior dos Estados Unidos com a Europa para a segurança do Ártico, onde está inserida a Groenlândia, e pediu uma maior segurança na região seja por parte dos norte-americanos como dos europeus.
Ele disse acreditar que as discordâncias entre os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) favorecem a entrada de adversários militares na região, como Rússia e China. Para Stubb, é importante que as divergências entre Estados Unidos e Europa sejam apenas uma questão de segurança, e não de soberania. Stubb ainda disse que classificou o recente exercício militar na Groenlândia como um "mal-entendido" com o presidente Trump, após a chegada de militares europeus na ilha do Ártico nesta semana. Ainda, Trump, publicou uma imagem editada que mostra um mapa de parte do globo com a bandeira norte-americana sobre os Estados Unidos, o Canadá, a Groenlândia, Cuba e a Venezuela. A montagem usa como base uma foto de um encontro no Salão Oval com líderes europeus, realizado em agosto de 2025, e amplia ruídos diplomáticos em um momento de tensões geopolíticas já elevadas.
Trump também divulgou outra imagem adulterada em que aparece fincando a bandeira dos Estados Unidos ao lado de uma placa com os dizeres "Groenlândia, Território dos EUA, desde 2026", reforçando sua retórica sobre a ilha, que é um território semiautônomo ligado à Dinamarca. As publicações circulam em meio aos desdobramentos do Fórum Econômico Mundial, em Davos, onde a crise envolvendo a soberania da Groenlândia e as ameaças de tarifas norte-americanas tendem a pesar nas discussões entre líderes políticos e econômicos. A ministra dinamarquesa para Assuntos Europeus, Marie Bjerre, reagiu nesta terça-feira (20/01) ao classificar eventuais tarifas como "profundamente injustas", defendendo que a Europa se torne mais forte e independente, embora tenha ressaltado não haver interesse em escalar uma guerra comercial.
A presença da bandeira dos Estados Unidos sobre os territórios de Cuba e Venezuela nas imagens ocorre em meio ao endurecimento da política externa dos Estados Unidos. O governo Trump intensificou a pressão sobre Cuba em meio à crise energética e econômica da ilha e, no caso da Venezuela, após uma operação militar dos Estados Unidos que terminou com a captura do ditador Nicolás Maduro. A imagem do encontro no Salão Oval remete à reunião de agosto de 2025, quando Trump recebeu líderes europeus na Casa Branca para discutir a guerra na Ucrânia, após conversas com o presidente russo, Vladimir Putin. Na imagem usada por Trump aparecem o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, e o presidente da França, Emmanuel Macron. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.