21/Jan/2026
Milhares de agricultores europeus, acompanhados por centenas de tratores, tomaram as ruas de Estrasburgo nesta terça-feira (20/01) em mais um protesto contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. A mobilização ocorre em frente ao Parlamento Europeu, apenas um dia antes da votação decisiva que pode encaminhar o tratado ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) para análise de legalidade. Segundo estimativas da polícia local, o ato reuniu mais de 4.500 manifestantes, enquanto a Federação Nacional dos Sindicatos dos Agricultores (FNSEA), considerado maior sindicato agrícola da França, fala em cerca de 5 mil participantes vindos de 15 Estados-membros, incluindo França, Itália, Bélgica, Polônia e Espanha. A imprensa local reportou a presença de cerca de 700 a 1.000 tratores bloqueando acessos e concentrando-se nas imediações da sede do legislativo.
O protesto é uma resposta direta à assinatura do acordo, realizada no sábado (17/01), em Assunção, no Paraguai, pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelos líderes do Mercosul, apesar da forte oposição de setores agrícolas e de governos como o da França. A manifestação reflete a insatisfação crescente do setor agropecuário do bloco, que teme a concorrência desleal e a importação de produtos sul-americanos sob padrões sanitários e ambientais distintos dos exigidos na Europa. As lideranças rurais exigem que os deputados europeus utilizem os mecanismos legais disponíveis para frear a implementação do tratado. A votação agendada para esta quarta-feira (21/01) definirá se o Parlamento solicitará um parecer do TJUE sobre a compatibilidade do acordo com a legislação da União Europeia. Caso o tribunal emita uma opinião desfavorável, o texto teria de ser renegociado ou modificado.
As entidades representativas do setor, como a Copa-Cogeca e a Asaja Nacional, reforçaram o discurso de que a Europa não pode ser rigorosa com seus produtores internos e permissiva com as importações. A FNSEA afirmou que a situação é insustentável e cobrou proteção à agricultura europeia. Além da questão do Mercosul, os manifestantes reivindicam uma Política Agrícola Comum (PAC) forte e bem financiada para o período pós-2027, simplificação burocrática real e garantia de renda digna. A tensão política em Estrasburgo deve continuar ao longo da semana. Além da votação sobre o acordo comercial, o Parlamento Europeu analisará na quinta-feira (22/01) uma moção de censura contra Ursula von der Leyen, apresentada pelo grupo de direita Patriotas por Europa, embora analistas considerem que a iniciativa tem poucas chances de prosperar. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.