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23/Jan/2026

UE entre esperança e ceticismo sobre Groenlândia

Diversos líderes europeus se pronunciaram sobre a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de recuar das tarifas europeias, bem como as informações de que há um acordo em construção para a Groenlândia. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, saudou o anúncio do presidente norte-americano de suspender a imposição de tarifas, afirmando que a Itália "sempre defendeu, é essencial continuar a promover o diálogo entre as nações aliadas". O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, acolheu com satisfação o anúncio e pontuou que o dia terminou melhor do que começou. "É um bom sinal de que Trump não usará a força", disse, mas alertou que o presidente dos Estados Unidos tem "uma ambição que não podemos acomodar".

"É bom que Trump também tenha recuado das tarifas contra nós, que apoiamos a Dinamarca e a Groenlândia. As exigências de mudança de fronteiras receberam críticas merecidas e severas. É por isso que reiteramos que não nos deixaremos chantagear. Parece que nosso trabalho conjunto com os aliados surtiu efeito", escreveu a ministra de Relações Exteriores sueca, Maria Stenergard, em rede social. O vice-chanceler alemão, Lars Klingbeil, pontuou de forma cautelosa que ainda é muito cedo para concluir que a disputa desestabilizadora entre os Estados Unidos e a União Europeia chegou ao fim. “Após as idas e vindas dos últimos dias, devemos agora esperar para ver quais acordos substantivos serão alcançados entre Mark Rutte e Trump”, disse Klingbeil.

De forma semelhante, um alto funcionário da União Europeia informou que "seria cético em chamar isso de notícia fantástica". O primeiro-ministro dos Países Baixos, Dick Schoof, também reagiu aos anúncios: "é positivo que agora estejamos no caminho para a desescalada". É importante que os Estados Unidos, Canadá e Europa continuem a trabalhar juntos dentro da Otan para fortalecer a segurança na região do Ártico e combater as ameaças da Rússia e da China. O líder russo, Vladimir Putin, se contentou em dizer que a questão da posição dos Estados Unidos sobre a posse da Groenlândia não é uma preocupação para seu governo. O gabinete do presidente da França, Emmanuel Macron, pediu na quarta-feira (21/01), um exercício militar da Otan na Groenlândia. O governo francês se disse “disposto a contribuir”.

O pedido foi feito em meio a tensões causadas pelas ameaças de Donald Trump de anexar o território da Dinamarca e a recusa de Macron em participar do Conselho da Paz de Gaza. “A França solicita um exercício militar da Otan na Groenlândia e está disposta a contribuir”, declarou, sinalizando acreditar que as manobras permitiriam aos europeus demonstrarem aos Estados Unidos que levam a segurança do Ártico a sério. Na semana passada, países europeus, incluindo França, Alemanha e Reino Unido, enviaram soldados para uma missão de reconhecimento, em preparação para um exercício militar dinamarquês organizado com aliados da Otan. O envio das forças foi organizado fora da estrutura da aliança atlântica, isto é, sem o envolvimento dos Estados Unidos.

Nesta quinta-feira (22/02), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender um papel ampliado dos Estados Unidos na Groenlândia, afirmando que o país pode ter "quantas bases quiserem" no território e que os norte-americanos terão "todo o acesso militar necessário" na região, em meio a negociações com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) sobre o controle do território semiautônomo dinamarquês. O republicano afirmou que não terá que "pagar nada" e os Estados Unidos terão acesso total à Groenlândia, porque se trata de segurança nacional e segurança internacional. Ele declarou que a Groenlândia terá papel importante no sistema de defesa Domo de Ouro.

De acordo com Trump, se "os caras maus começarem a atirar", os Estados Unidos "derrubam" os projéteis a partir dali. Em outra frente, Trump voltou a criticar aliados europeus e a Otan. Segundo ele, a aliança "não tem feito nada por nós", enquanto os Estados Unidos "fazem tudo por eles". Trump disse ainda que os norte-americanos "nunca realmente pediram nada" aos aliados, mas ressaltou que a relação "tem que ser de mão dupla", acrescentando que ela tem sido muito mais favorável à Europa. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou nesta quinta-feira (22/01) que existem limites inegociáveis para a ilha autônoma ao discutir um possível acordo com os Estados Unidos, incluindo sua soberania, integridade territorial e normas estabelecidas pela lei internacional. "São linhas vermelhas que não queremos ultrapassar", disse ele.

Nielsen negou ter conhecimento sobre quaisquer detalhes do esboço de acordo alcançado pelo presidente dos Estados Unidos e pelo secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte. Segundo ele, a discussão provavelmente envolveu objetivos em comum de ambos os aliados, mas que os termos ainda serão negociados. "Não sei o que há de concreto sobre esse acordo com os Estados Unidos", afirmou o premiê, acrescentando que agora possui equipes trabalhando nas negociações para resolver as tensões. "Desejo de controlar nossa ilha ainda parecia existir, mas diálogo respeitoso é algo que buscamos desde o começo e agora parece que outras partes também querem isso." Nielsen frisou que ninguém possui autoridade para negociar e fechar um acordo em nome da Groenlândia ou da Dinamarca sem que seus representantes estejam envolvidos, em aparente crítica velada ao anúncio da véspera.

Questionado mais de uma vez, o premiê repetiu que "não sabe" o que os termos do esboço EUA-Otan envolvem ou se houve discussões sobre minérios críticos e estabelecimento de bases militares na ilha. O líder da Groenlândia ressaltou que está disposto a ampliar a participação da Otan e até mesmo instalar missões especiais da aliança militar, mas não comentou se faria o mesmo com a presença dos Estados Unidos na região. "Quero discutir o Domo de Ouro e planos semelhantes respeitosamente, mas pelos canais certos e de maneira respeitosa", disse. "Segurança no Ártico é algo em que todos concordam." Nielsen foi categórico ao afirmar que defender a soberania da Groenlândia é sobre "manter a ordem mundial" e resolução de conflitos por meio da diplomacia. "Estamos esperançosos e queremos manter boa relação com os Estados Unidos, mas é difícil com ameaças todos os dias", pontuou.

O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta quinta-feira (22/01) que "começamos a semana com uma escalada, ameaças de invasão e de tarifas, e retornamos a uma situação que me parece muito mais aceitável, mesmo que permaneçamos vigilantes". O líder afirmou que o "que se deve concluir é que, quando a Europa reage de forma unida, utilizando os instrumentos que tem à sua disposição quando se sente ameaçada, consegue conquistar respeito, e isso é muito positivo". "É uma política que a França e a Europa desejam. Somos a favor da paz e da ordem internacional. Quando somos ameaçados, ou alvo de pressão, devemos mostrar solidariedade e usar as ferramentas que temos à disposição, que foi o que aconteceu nesta semana", afirmou. Segundo ele, durante o encontro de líderes da União Europeia, a questão da Otan será discutida, assim como haverá apoio à Dinamarca, país envolto nas ambições do presidente dos Estados Unidos de controle sobre a Groenlândia.

A chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, disse nesta quinta-feira (22/01) que ainda não teve acesso ao acordo que está em andamento dos Estados Unidos com países europeus sobre a Groenlândia. “Não vimos o acordo ainda, só podemos especular o que está com o secretário-geral da Otan, que é a segurança do Ártico. Isso já foi oferecido antes e se os Estados Unidos têm preocupações na região estão esses problemas podem ser resolvidos via Otan”, disse Kallas. A diplomata também reafirmou a soberania da ilha no Ártico, reafirmando que não cabe aos Estados Unidos intervir na região. "A Groenlândia e sua população já afirmaram que eles querem ficar na União Europeia, com a Dinamarca. O futuro da ilha cabe à população decidir e é por isso que defendemos a soberania territorial", completou. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.