23/Jan/2026
O acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul deve ser aplicado em caráter provisório já em março, afirmou um diplomata do bloco europeu nesta quinta-feira (22/01), apesar de questionamentos jurídicos iminentes. A vigência deve iniciar assim que o primeiro país sul-americano, provavelmente o Paraguai, ratificar o tratado. A movimentação ocorre um dia após legisladores europeus encaminharem o texto ao Tribunal de Justiça da União Europeia, o que poderia atrasar a tramitação em dois anos. Em Davos, o chanceler alemão Friedrich Merz lamentou a decisão do Parlamento Europeu, mas garantiu que o processo não será interrompido, classificando o acordo como "justo e equilibrado" e sem alternativas para o crescimento europeu. Defensores veem o pacto como vital para compensar tarifas dos Estados Unidos, enquanto críticos, liderados pela França, temem a entrada de carne bovina, açúcar e aves.
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o objetivo do governo é aprovar a internalização do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia o quanto antes, para que haja uma vigência provisória do acordo enquanto a Comissão Europeia discute o assunto. Segundo Alckmin, a "decisão do governo é de acelerar o processo" de discussão e internalização do acordo no Brasil. O vice-presidente disse que houve um "percalço, mas nós vamos superá-lo". O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve encaminhar ao Congresso a proposta para internalização do acordo entre Mercosul e União Europeia. Isso ajudará na Comissão Europeia, para que haja uma vigência provisória enquanto há uma discussão na área judicial. O objetivo é que não haja esse atraso. O chanceler alemão colocou essa questão, dizendo que a Comissão Europeia deveria fazer a vigência provisória.
Para a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), a tensão permanente entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a Europa ajuda o acordo entre Mercosul e União Europeia. A Europa vai ter que remodelar sua geopolítica econômica. O ambiente está favorável para acelerar acordo Mercosul-UE e o governo precisa trabalhar a imagem do Brasil na opinião pública da Europa. Uma solução será encontrada ainda em 2026 para viabilizar o acordo, que foi judicializado pelo Parlamento Europeu. 47% do comércio Brasil-UE é indústria da transformação e 23% é agropecuária. Nesse contexto, a ideia é levar uma missão do Parlamento brasileiro à União Europeia. A estratégia é aprovar acordo Mercosul-UE o quanto antes nos Parlamentos do Mercosul para depois ir até a União Europeia com argumentos para acelerar a aprovação dos europeus.
Com o acordo aprovado no Brasil, a missão parlamentar à Europa deve ocorrer, no máximo, até março deste ano. A judicialização da Comissão Europeia é um movimento legítimo para protelar a vigência do mecanismo. É parte do processo. Mas, o Brasil também pode fazer outro movimento, apressando a votação. Pedir aos congressistas que votem o acordo no Mercosul. É preciso mudar a imagem do agro brasileiro na Europa e, por isso, haverá uma campanha educativa/publicitária. Os pequenos produtores brasileiros também se beneficiarão do acordo com a União Europeia, como no mercado de mel, por conta de haver mercados complementares e produtos sem concorrência direta na Europa. Há apreensão em relação ao acordo entre o Mercosul e a União Europeia depois do tarifaço norte-americano e com a judicialização.
O acordo Mercosul-UE reúne segundo maior PIB do mundo, de US$ 22 trilhões e é bom para dois lados, mas tem muita resistência na Europa. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) afirmou que aprovar o acordo no Legislativo brasileiro será agenda prioritária para 2026. Essa é a maneira educada de pressionar os europeus. O vice-presidente, Geraldo Alckmin, quer acelerar a internalização do acordo com os europeus. A revisão jurídica também foi utilizada no acordo entre União Europeia e Canadá. O Brasil voltou ao protagonismo no comércio exterior por conta da diplomacia presidencial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará uma missão à Índia junto a empresários e com parceria da Apex. O Brasil exportou US$ 1,03 trilhão nos últimos 3 anos. A missão da Índia é em fevereiro, logo depois vão à Coreia do Sul. A Apex passou de 5 para 8 escritórios no Brasil. No mundo, agora há 19 escritórios e haverá a abertura de 1 escritório em Nova Deli, na Índia. Fontes: Reuters e Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.