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29/Jan/2026

Região Sul: mudanças estruturais no Agronegócio

Segundo relatório do Santander baseado em visitas técnicas realizadas na semana passada no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, a disciplina na concessão de crédito e o avanço da verticalização industrial passaram a diferenciar o desempenho das empresas do agronegócio na Região Sul do Brasil. Companhias que ajustaram seus modelos financeiros após sucessivas perdas climáticas conseguiram preservar caixa, reduzir inadimplência e sustentar operações em um ambiente ainda pressionado por margens estreitas no campo. Foram identificadas seis tendências na região: combate à pirataria de sementes, subinvestimento em fertilizantes, crescimento da capacidade de biodiesel, adoção da canola como cultura de inverno, reformulação dos sistemas de crédito e maior participação de imigrantes na força de trabalho local. Essas são as tendências que os investidores devem monitorar.

Após quatro anos marcados por secas e enchentes no Rio Grande do Sul, os produtores reduziram investimentos e passaram a priorizar a preservação de caixa Esse movimento expôs fragilidades no modelo tradicional de concessão de crédito. Houve uma mudança estrutural na forma como o crédito é concedido, com centralização das decisões e afastamento do modelo baseado apenas no relacionamento comercial. Cooperativas, revendas e multiplicadoras de sementes que adotaram comitês formais de crédito, com participação de áreas financeiras e jurídicas, conseguiram manter níveis mais baixos de inadimplência e renegociação. Empresas líderes instituíram comitês de crédito rigorosos, compostos por mais de dez membros, que efetivamente retiram dos gerentes locais a autonomia para exposições relevantes. O relatório destaca ainda a adoção de análises forenses como complemento ou substituição aos 'scores' tradicionais de crédito.

Esse modelo explica a performance de algumas companhias na região. Isso é central para entender como a 3tentos tem conseguido superar seus pares na cobrança de recebíveis (separação mais rígida entre as áreas comercial e financeira). No campo industrial, o relatório aponta avanço da verticalização como resposta à mudança na dinâmica de margens do setor. Investimentos em esmagamento de soja e biodiesel funcionam menos como expansão especulativa e mais como estratégia defensiva. Sem ativos industriais, cooperativas e tradings regionais não conseguem competir na originação de grãos. Apesar da ampliação da capacidade instalada, há incertezas regulatórias. Embora o Brasil já tenha estrutura suficiente para elevar a mistura obrigatória de biodiesel de 15% para 18%, o Santander projeta que a mistura permaneça em 15% até pelo menos agosto. Não é esperado um caminho linear para os aumentos de mistura, o que adiciona incerteza às decisões de investimento.

No campo produtivo, a área de canola no Rio Grande do Sul dobrou para cerca de 200 mil hectares na comparação anual, apoiada por liquidez e pela entrada de novas plantas de esmagamento. A canola possui cerca de 40% de teor de óleo e, mesmo com desconto de 50% no farelo em relação ao farelo de soja, ainda melhora as margens industriais. Porém, falhas no manejo e na rotação de culturas provocaram perdas de produtividade da soja entre 20% e 30% em algumas propriedades. Chama atenção o papel da mão de obra imigrante no setor de proteínas. Cerca de 64 mil imigrantes de vários países trabalham atualmente em frigoríficos no Brasil, com as cadeias de frango e suínos empregando 32 mil e 21 mil trabalhadores, respectivamente. O emprego está concentrado em Santa Catarina (24 mil), Paraná (17 mil) e Rio Grande do Sul (11 mil). As verificações indicam que a rotatividade anual nas linhas de produção gira em torno de 10%. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.