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30/Jan/2026

Grãos: fundamentos baixistas do mercado global

Segundo a AgResource, a alta recente de ouro e petróleo em resposta às tensões geopolíticas não muda o fundamento baixista do mercado de grãos, ancorado em estoques elevados e ausência de pressão consistente da demanda global. Eventuais repiques motivados por fatores externos tendem a ser pontuais e devem ser tratados como oportunidades táticas de comercialização. O avanço acelerado do ouro, da ordem de US$ 400,00 por onça em poucos dias, reflete a busca por ativos de crise e não guarda relação estrutural com a formação de preços agrícolas. Não se precifica milho em ouro. Quando as pessoas veem o ouro subir, dizem que a inflação está chegando, mas não há evidência de inflação nem de uma expansão dramática da demanda global por grãos.

O movimento atual é predominantemente especulativo e pode estar próximo do fim. No comércio exterior, as vendas semanais dos Estados Unidos ainda registram volumes considerados satisfatórios, com cerca de 1,65 milhão de toneladas de milho, 820 mil toneladas de soja e 545 mil toneladas de trigo. A soja incluiu aproximadamente 270 mil toneladas destinadas à China, mas esse fluxo deve perder força nas próximas semanas. As vendas estão boas, mas provavelmente atingindo o pico. À frente, deve haver algum recuo nas exportações norte-americanas, com base nas avaliações atuais. A competitividade da origem norte-americana também vem sendo afetada por gargalos logísticos.

O congelamento do Rio Mississippi e de seus afluentes, após mais de duas semanas de frio intenso no centro dos Estados Unidos, tem dificultado o escoamento por barcaças. O nível do rio está baixo devido à ausência de chuvas e de degelo, e já houve registros de embarcações presas. Os prêmios para grãos destinados ao Golfo subiram para a faixa entre US$ 1,20 e US$ 1,30 por bushel, encarecendo ainda mais a oferta dos Estados Unidos. Os telefones pararam de tocar nas grandes exportadoras. A comunidade exportadora não encontra muito negócio neste momento. Diante desse cenário, empresas já avaliam redirecionar cargas para outras origens.

Há discussões para deslocar soja ao Brasil e trigo à Argentina ou à Austrália, em função da economia de custos. No campo da política energética, o E15 voluntário deve adicionar entre aproximadamente 1,3 milhão e 7,6 milhões de toneladas, volume considerado limitado. Com E15 obrigatório, seriam algo entre 61 e 66 milhões de toneladas. Isso mudaria o mercado e o resultado para o produtor. Na América do Sul, o cenário segue amplamente favorável à oferta. A AgResource está na terceira semana de visitas técnicas no Brasil e encontrou rendimentos elevados em diversas regiões. Fala-se em uma safra brasileira de soja acima de 185 milhões de toneladas, entre 185 milhões e 191 milhões de toneladas.

Chuvas recentes no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná devem garantir bom fechamento na Região Sul do País. A recomendação é manter a análise simples e focada em balanços de oferta e demanda. Para mudar preço, é preciso mudar balanço. O E15 foi decepcionante. O Irã pode importar menos grãos. O país persa compra anualmente cerca de 16 milhões de toneladas de milho, trigo, farelo de soja e outros produtos agrícolas. A saúde da vegetação também segue sólida em regiões como norte da Índia, norte da África e Oriente Médio. Não há problemas de oferta. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.