30/Jan/2026
Em uma sessão de volatilidade alta, o dólar fechou esta quinta-feira (29/01) em queda ante o Real, abaixo dos R$ 5,20, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior, no dia seguinte às decisões sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos. O dólar fechou com recuo de 0,27%, cotado a R$ 5,19, no menor valor de fechamento desde os R$ 5,15 de 28 de maio 2024. No início da sessão o dólar emplacou baixas ante boa parte das moedas de emergentes, como o Real do Brasil, o peso do Chile e o peso do México, em mais um dia de fluxo de investimentos para estes países. O movimento no Brasil ocorreu ainda que, na quarta-feira (28/01), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central tenha indicado a intenção de começar a cortar juros em março, após ter mantido a Selic em 15%.
O corte da Selic em março, em tese, tende a tornar o Brasil um pouco menos atrativo aos investimentos estrangeiros, mas agentes do mercado têm ponderado que ainda assim o País seguirá atraente para operações de carry trade, considerando que as taxas no exterior são bem menores. Nos Estados Unidos, a taxa de referência foi mantida na faixa de 3,50% a 3,75% pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), mas a instituição deu poucas pistas sobre quando haverá espaço para mais cortes. Em operações de carry trade, investidores tomam empréstimos no exterior, onde os juros são menores, e aplicam no Brasil, onde o retorno é maior.
Nas últimas semanas, o forte fluxo de investimentos estrangeiros para mercados emergentes como o Brasil, com destaque para a bolsa, vem pesando sobre as cotações do dólar. Neste cenário, o dólar marcou a cotação mínima de R$ 5,16 (-0,81%), mas na sequência ganhou força até a máxima de R$ 5,24 (+0,79%). A escalada rápida do dólar ante o Real esteve em sintonia com uma piora generalizada dos mercados globais após a abertura da Bolsa de Nova York, onde os índices eram penalizados pelo mergulho das ações de tecnologia. Também penalizado por Wall Street, o Ibovespa chegou a cair mais de 1%. O dólar voltou a perder força ante as divisas de emergentes, o que fez a moeda norte-americana voltar a cair no Brasil, para abaixo dos R$ 5,20, ainda que o Ibovespa seguisse pressionado.
Com o movimento desta quinta-feira (29/01), o dólar acumulou queda de 5,37% ante o Real em 2026. Ao avaliar a depreciação recente do dólar, a Azimut Brasil Wealth Management lembrou que isso se deve principalmente a uma maior percepção de risco em relação aos Estados Unidos, e não à perspectiva de corte de juros pelo Federal Reserve. A natureza da depreciação do dólar é de perda de confiança nos Estados Unidos, mais do que o processo cíclico de o Fed cortar juros. O que leva a pensar que isso pode mudar. No exterior, o índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes, subia 0,04%, a 96,199. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.