03/Feb/2026
Países europeus vêm trabalhando em diversas negociações bilaterais, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que chegou a um "esboço" de acordo para a Groenlândia. Os detalhes das negociações, contudo, ainda não são claros e podem render mais uma série de debates com o mandatário republicano. No dia 27 de janeiro, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, anunciou um acordo de livre-comércio com a União Europeia. O pacto abrange 2 bilhões de pessoas e foi concluído após duas décadas de negociações. O acordo vai além da liberalização tarifária agrícola e se insere em uma agenda estratégica mais ampla, voltada ao fortalecimento de investimentos, serviços, cadeias globais de valor e cooperação geopolítica.
Para o setor agrícola, o tratado promete abrir o mercado de 1,45 bilhão de consumidores indianos para produtos europeus de alto valor agregado, derrubando tarifas que hoje chegam a 150% sobre bebidas e alimentos, ao mesmo tempo em que blinda setores sensíveis da União Europeia, como carnes, açúcar e etanol, da liberalização. O acordo é o quarto tratado bilateral firmado pela Índia em um ano, ao lado de pactos com Reino Unido, Omã e Nova Zelândia, e faz parte do esforço do país para diversificar mercados e reduzir a dependência dos Estados Unidos. Ele também ocorre no momento em que o governo norte-americano impõe tarifas de importação elevadas tanto para produtos indianos, por causa da dependência do petróleo russo, quanto para itens do bloco europeu.
Em paralelo, o Reino Unido abriu as portas para uma série de acordos com a China em meio à visita do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, a Pequim. Segundo Downing Street, os acordos, com ênfase no setor de serviços, vão fortalecer as relações bilaterais. Ambas as nações concordaram em realizar um "estudo de viabilidade" para explorar a possibilidade de iniciar negociações e prometeram afrouxar regras de vistos para turistas. A União Europeia também não desistiu de implementar o acordo de livre comércio com o Mercosul de forma provisória, afirmou na semana passada a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apesar da votação do Parlamento Europeu para adiar a ratificação para revisão legal. Os acordos bilaterais acontecem no momento em que líderes europeus enfatizam que o continente deve buscar unidade e maior papel estratégico nas disputas globais.
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou que a Europa busca reforçar seu papel diante de um cenário global marcado pela "disputa entre grandes potências". Em entrevista coletiva conjunta com a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, Merz disse que os dois conversaram "quase todos os dias" sobre como lidar com a "questão difícil" da Groenlândia, diante da tentativa dos Estados Unidos de adquirir a ilha do Ártico. O chanceler alemão ainda elogiou o bloco europeu como uma “alternativa ao imperialismo e à autocracia”, que pode formar acordos com parceiros que compartilham os mesmos ideais em um mundo de crescente rivalidade entre as grandes potências, embora não tenha citado diretamente o caso da Groenlândia. Do outro lado, Trump comentou, após o Fórum Econômico Mundial, em Davos, que haverá novidades sobre o acordo da Groenlândia em "duas semanas".
Questionado sobre mais informações, o republicano disse que "podemos fazer tudo que quisermos", mas ponderou que o quadro "traz aspectos positivos para a Europa" e que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) vai estar envolvida. Enquanto a União Europeia explora novas parcerias comerciais e uma economia menos dependente dos Estados Unidos, a verdade é que substituir o consumidor norte-americano é quase impossível, aponta o Wells Fargo. Portanto, mesmo que o bloco trace novos caminhos comerciais e explore uma integração mais profunda no mercado global sem os Estados Unidos, um mundo onde Estados Unidos e União Europeia estão menos economicamente integrados levanta novos obstáculos ao crescimento global. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.