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04/Feb/2026

Clima: El Niño coloca setor elétrico em alerta em 2026

A possibilidade de transição do atual padrão climático para um evento de El Niño ao longo de 2026 acende um sinal de alerta no setor elétrico brasileiro, diante dos potenciais impactos sobre o balanço energético e os custos da eletricidade. Após meses de chuvas abaixo da média e com a perspectiva de que as precipitações de fevereiro e março não sejam suficientes para recompor integralmente o déficit acumulado desde outubro, cresce a preocupação com os níveis de armazenamento das hidrelétricas ao final do período úmido.

Indicadores climáticos recentes apontam tendência de aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. As leituras atuais ainda caracterizam a presença de La Niña, mas já há elevada probabilidade de transição para neutralidade até março. As análises também indicam que, ainda no primeiro semestre, pode ocorrer a configuração de um El Niño de fraca intensidade, o que implicaria temperaturas acima da média no Pacífico central e reflexos atmosféricos mais relevantes no segundo semestre.

Modelagens climáticas internacionais convergem para esse cenário, com ampla maioria dos cenários projetando a entrada em El Niño entre junho e julho. Avaliações multimodelo indicam probabilidade próxima de 60% de ocorrência do fenômeno em 2026, patamar considerado elevado do ponto de vista estatístico.

A configuração do El Niño tende a provocar aumento das chuvas no Sul e redução das precipitações no Norte e Nordeste. Na região central do País, onde se concentram os principais reservatórios hidrelétricos, o efeito mais comum é a irregularidade das chuvas combinada a maior frequência de ondas de calor. Além do fenômeno no Pacífico, o comportamento do Oceano Atlântico também influencia o regime de chuvas no Sudeste, aumentando o grau de incerteza sobre a recuperação dos reservatórios.

O sistema elétrico entra no terço final do período úmido sem uma recomposição robusta do armazenamento. A partir desse ponto do calendário, mesmo eventuais chuvas adicionais em abril ou maio tendem a ter impacto limitado, o que eleva a probabilidade de níveis de reservatórios mais baixos ao final do período seco, por volta de outubro.

Do lado da demanda, o risco climático se soma a pressões estruturais de crescimento do consumo. A elevação das temperaturas tende a impulsionar a carga acima da expansão já projetada, estimada em torno de 4,5% em 2026. Episódios de calor intenso costumam gerar respostas imediatas da demanda, especialmente pelo aumento do uso de sistemas de refrigeração. Além disso, Norte e Nordeste seguem registrando taxas de crescimento superiores a 7%, com incremento expressivo da carga, enquanto o Sudeste e o Sul apresentam demanda mais firme na comparação com 2025.

No contexto tarifário, a combinação de temperaturas elevadas e reservatórios mais baixos reforça a perspectiva de maior acionamento de bandeiras tarifárias em 2026. Embora fevereiro ainda opere sob bandeira verde, sem cobrança adicional, esse cenário é típico do auge do período úmido. A partir de abril, com o encerramento dessa fase, o acionamento de bandeiras amarela ou vermelha passa a depender de patamares mais factíveis de risco hidrológico e de preços no mercado de curto prazo.

As projeções indicam que a bandeira amarela poderia ser acionada a partir de abril ou maio, com custo adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Em cenários mais adversos, há expectativa de escalada para bandeira vermelha ao longo do período seco. A bandeira vermelha Patamar 1 implica custo adicional de R$ 4,463 por 100 kWh, enquanto o Patamar 2 eleva esse valor para R$ 7,877 por 100 kWh.

Apesar de algumas leituras mais otimistas indicarem possibilidade de manutenção da bandeira verde até abril, o risco de cobrança adicional não está descartado. Projeções mais conservadoras seguem apontando bandeira amarela já no quarto mês do ano, com maior frequência de bandeiras vermelhas entre junho e setembro e retorno a condições mais benignas apenas no fim do ano.

Embora o El Niño não tenha efeito direto e uniforme sobre as chuvas nas áreas de influência dos principais reservatórios, seu impacto indireto por meio do aumento das temperaturas tende a elevar a carga e pressionar os preços da energia. Esse conjunto de fatores mantém o setor elétrico em estado de atenção ao longo de 2026, com riscos assimétricos para custos, tarifas e segurança do suprimento. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.