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04/Feb/2026

Clima: transição para El Niño trará riscos em 2026/2027

A possível transição do fenômeno La Niña para condições de neutralidade ao longo de fevereiro e março tende a alterar de forma relevante o padrão climático no Brasil, elevando o risco de estresse hídrico em áreas do Centro-Oeste, Sudeste e Sul. O cenário é particularmente sensível para lavouras em fases reprodutivas, quando a demanda por água é mais elevada e a variabilidade climática pode comprometer o potencial produtivo.

A transição para a neutralidade climática tende a reduzir a previsibilidade das chuvas e aumentar a heterogeneidade regional do regime pluviométrico. Mesmo que a influência residual da La Niña ainda persista até meados de março, a expectativa é de maior irregularidade na distribuição das precipitações nas próximas semanas, com alternância entre períodos secos e eventos pontuais de chuva.

As projeções indicam volumes de chuva acima da média em pontos das regiões Norte e Sudeste, abrangendo áreas do Amazonas, Roraima e Pará, além de faixas de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Em contrapartida, parcelas do Centro-Oeste e da Região Sul devem registrar precipitações abaixo da média histórica, ampliando o risco de restrição hídrica nessas regiões.

As temperaturas tendem a permanecer acima da média em grande parte do País, com desvios estimados entre 0,5°C e 1°C em áreas que incluem a divisa entre Mato Grosso, Goiás e Tocantins, além do eixo entre São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. A combinação de calor acima do normal e chuvas irregulares aumenta a evapotranspiração e pode afetar negativamente culturas de sequeiro, especialmente durante fases críticas como floração e enchimento de grãos.

O risco é mais pronunciado em regiões do Centro-Oeste, no norte de Minas Gerais, no Triângulo Mineiro e em áreas de São Paulo, onde a conjugação de precipitações abaixo da média e temperaturas elevadas tende a limitar a disponibilidade de água no solo. Esse ambiente pode comprometer o desempenho das lavouras em estágios reprodutivos sensíveis, elevando o risco de estresse hídrico e térmico.

Na Região Sul, a previsão de chuvas abaixo da média, associada a temperaturas próximas ou ligeiramente acima do padrão climatológico, também pode reduzir a umidade do solo. Esse cenário afeta principalmente lavouras em fase de enchimento de grãos, sobretudo aquelas implantadas mais tardiamente ou em áreas com menor capacidade de retenção hídrica.

Por outro lado, o quadro mais seco pode trazer efeitos operacionais positivos no curto prazo. A menor umidade favorece a aceleração da maturação e melhora as condições de campo para a colheita da soja e do milho de primeira safra, contribuindo para a qualidade dos grãos e a redução de perdas operacionais.

Em relação à umidade do solo, as projeções apontam maior vulnerabilidade em grande parte do Nordeste, no extremo norte de Roraima e no Acre, onde as condições hídricas permanecem mais restritas. Esse conjunto de fatores reforça a necessidade de monitoramento climático contínuo e de manejo mais criterioso nas regiões mais expostas ao risco hídrico ao longo do primeiro trimestre de 2026. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.