06/Feb/2026
O número de empresas em recuperação judicial no Brasil alcançou patamar recorde em 2025, totalizando 5.680 companhias, alta de 24,3% em relação a 2024. O avanço reflete um ambiente econômico mais restritivo, marcado por crédito escasso, juros elevados e maior pressão financeira sobre diferentes setores da economia.
O agronegócio liderou a escalada proporcional dos pedidos, com crescimento de 67% no número de empresas em recuperação judicial, somando 493 companhias. Dentro desse grupo, destacam-se produtores de soja, que representam 217 casos, evidenciando o impacto da combinação entre margens comprimidas, custos financeiros elevados e maior seletividade na concessão de crédito.
No quarto trimestre de 2025, foram registrados 510 novos pedidos de recuperação judicial, com passivo agregado estimado em R$ 40 bilhões, mais que o dobro do volume observado no trimestre anterior. O aumento expressivo do valor total dos passivos reforça a deterioração da estrutura financeira das empresas, especialmente aquelas mais alavancadas.
Apesar do avanço do agronegócio em termos relativos, o setor de serviços segue concentrando o maior número absoluto de empresas em recuperação judicial, refletindo a fragilidade de segmentos dependentes de consumo, financiamento e capital de giro.
Para 2026, a perspectiva segue desafiadora. Mesmo com a expectativa de redução gradual da taxa básica de juros, o sistema financeiro tende a manter uma postura conservadora na concessão de crédito, o que pode prolongar o ciclo de reestruturações. A combinação de crédito mais restrito, volatilidade cambial e incertezas macroeconômicas adiciona risco ao ambiente empresarial, especialmente para setores intensivos em capital e altamente endividados. Fonte: Valor Econômico.