06/Feb/2026
O governo brasileiro avalia que o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, previsto para março em Washington, representa uma janela de oportunidade para avançar nas negociações sobre as tarifas adicionais ainda incidentes sobre parte das exportações brasileiras aos Estados Unidos. As equipes técnicas seguem trabalhando para reduzir ou eliminar as alíquotas remanescentes, com expectativa de que a agenda bilateral possa gerar algum progresso concreto.
Na leitura de interlocutores do Executivo, houve avanços relevantes no fim do ano passado, mas o tema permanece como uma preocupação central. A estratégia é aproveitar o encontro presidencial para destravar pontos que ainda limitam o acesso de produtos brasileiros ao mercado norte-americano, especialmente aqueles que continuam sujeitos às tarifas impostas em 2025.
O governo não descarta que as exportações brasileiras aos Estados Unidos apresentem desempenho mais fraco no início de 2026. A avaliação é de que a base de comparação é elevada, uma vez que houve antecipação de embarques no primeiro semestre de 2025 diante da expectativa de imposição do tarifaço. Assim, uma eventual retração neste começo de ano já é considerada dentro do cenário.
Em 2025, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram, enquanto as importações cresceram, resultando em déficit na balança comercial bilateral. A perda de fôlego das vendas externas ganhou intensidade a partir do segundo semestre, refletindo tanto o efeito das tarifas quanto o arrefecimento da demanda. Apesar disso, no último mês do ano passado a queda foi menos acentuada, o que foi interpretado como um possível sinal de estabilização.
Com a ordem executiva publicada no fim de 2025, parte relevante das exportações brasileiras ainda permanece sujeita às tarifas adicionais, incluindo produtos que enfrentam tanto a sobretaxa quanto a tarifa-base. Segmentos com maior exposição ao mercado norte-americano continuam sendo os mais impactados, o que reforça a prioridade do tema na agenda diplomática e comercial do governo.
No fim de janeiro, os presidentes conversaram por telefone e alinharam a realização do encontro presencial. Antes da visita aos Estados Unidos, o presidente brasileiro deve cumprir agenda na Ásia. O governo brasileiro avalia que o momento exige cautela, mas entende que a negociação direta em nível presidencial pode ser determinante para destravar impasses e avançar na normalização do fluxo comercial entre os dois países.
Fonte: Broadcast Político. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.