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06/Feb/2026

Agro impulsiona combustíveis renováveis na matriz energética

O Brasil passa a ocupar posição estratégica na transição energética ao integrar agronegócio, indústria e logística na produção de combustíveis renováveis. O avanço dessas cadeias produtivas amplia o papel do setor rural, que deixa de atuar exclusivamente como fornecedor de alimentos e passa a sustentar soluções energéticas voltadas à redução de emissões e ao atendimento de exigências ambientais internacionais.

A produção de combustíveis sustentáveis a partir de óleos vegetais e resíduos agrícolas reforça o protagonismo do agro brasileiro na nova matriz energética. O uso de matérias-primas de origem agrícola, associado ao aproveitamento de estruturas industriais já existentes, acelera a adoção dessas soluções e cria oportunidades adicionais de diversificação de renda para o produtor rural.

No segmento de aviação, o Brasil iniciou a oferta doméstica de combustível sustentável de aviação, com a comercialização de 3 mil metros cúbicos em dezembro de 2025, volume equivalente a aproximadamente um dia de consumo dos aeroportos do estado do Rio de Janeiro. O combustível pode substituir o querosene convencional sem necessidade de adaptações em aeronaves ou sistemas de abastecimento, o que favorece sua adoção imediata e amplia o potencial de redução de emissões no transporte aéreo.

A produção nacional utiliza matérias-primas vegetais, como óleo de soja e óleo técnico de milho, permitindo redução de até 87% nas emissões líquidas de dióxido de carbono na parcela renovável do combustível. O produto recebeu certificação internacional de sustentabilidade, alinhada às regras da Organização da Aviação Civil Internacional, preparando o mercado brasileiro para exigências futuras, como o uso obrigatório de combustíveis sustentáveis em voos internacionais a partir de 2027 e a implementação da Lei do Combustível do Futuro no mercado doméstico.

O avanço da produção ocorre por meio do coprocessamento em refinarias já autorizadas, modelo que reduz custos de implantação e acelera a transição energética ao utilizar infraestrutura existente. Esse formato amplia a previsibilidade da demanda por óleos vegetais certificados e consolida o agronegócio como elo central da cadeia energética de baixo carbono.

Além do setor aéreo, projetos de conversão industrial para o biorrefino avançam no sul do país, com adaptação de unidades industriais para o uso direto de óleos vegetais e resíduos agrícolas. Esse modelo permite a produção de diesel verde, combustível sustentável de aviação e outros combustíveis compatíveis com a infraestrutura atual, ampliando o uso de matérias-primas agrícolas na matriz energética.

Os investimentos associados à conversão dessas plantas industriais somam cerca de US$ 1 bilhão, com potencial de gerar impacto semelhante ao longo da cadeia agrícola, estimulando produção, logística e certificação de óleos vegetais. Além da soja e do milho, o movimento abre espaço para culturas de inverno, como canola, carinata e camelina, que ganham relevância como alternativas produtivas com demanda crescente em mercados internacionais.

A exigência por matérias-primas certificadas tende a valorizar práticas agrícolas sustentáveis e rastreáveis, ampliando oportunidades para o produtor rural. Regiões com acesso logístico eficiente aos portos ganham vantagem competitiva, facilitando o atendimento a mercados externos que demandam combustíveis e insumos de baixo carbono, especialmente na Europa.

Fonte: Notícias Agrícolas. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.