23/Feb/2026
O banco norte-americano Jefferies avalia que a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que derruba a taxação global imposta pelo presidente Donald Trump, reduz as incertezas e as tensões globais, mas pode não afetar os acordos comerciais já firmados com países como Japão e Coreia do Sul. A Suprema Corte decidiu que os termos da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) não conferem ao Executivo poder para instituir tarifas. A decisão da Suprema Corte reduz a incerteza política e as tensões globais, já que se torna mais difícil para os Estados Unidos imporem tarifas amplas e imediatas.
A decisão também sugere que o governo norte-americano pode enfrentar restrições institucionais mais fortes, com o aumento do poder das decisões da Suprema Corte e do Congresso. No geral, a derrubada é "construtiva" para as ações dos Estados Unidos e globais e os setores voltados para o consumidor nos Estados Unidos. A invalidação é positivamente direcionada para ativos de risco expostos a tarifas amplas, mas reembolsos e o manual de substituição podem gerar dispersão no curto prazo. Quanto aos acordos comerciais já firmados pelos Estados Unidos, os impactos são "menos prováveis".
As tarifas recíprocas levaram a vários acordos comerciais como o compromisso de investimento de US$ 550 bilhões entre os Estados Unidos e o Japão e de US$ 350 bilhões com a Coreia do Sul. A maioria desses acordos permanecerá intacta pelo menos até 2028, dadas as complicações políticas envolvidas em renegociá-los. O banco norte-americano monitora ainda como pode se dar o pagamento de reembolsos a importadores no país. Empresas que entraram com ações judiciais contra as tarifas, a exemplo do Costco, podem estar melhor posicionadas para buscar esse reparo.
Para a Capital Economics, com as alternativas tarifárias anunciadas na sexta-feira (20/02), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, agora está em uma posição legal muito mais segura. A Seção 122 trata explicitamente dos poderes que o Congresso estava disposto a conceder ao Poder Executivo para lidar com déficits "grandes e graves" na balança de pagamentos, mas é bastante restritiva, limitando a alíquota máxima da tarifa a 15% e sem aprovação do Congresso, apenas por 150 dias. A tarifa também deve ser "não discriminatória", ou seja, uma única alíquota para todos, o que significa que Trump não poderá mais honrar muitos dos acordos que negociou. É possível que alguns deles se desfaçam.
Agora, parece que Donald Trump escolheu uma alíquota global de 10%, em vez do máximo de 15%, para evitar penalizar países como o Reino Unido, que, de outra forma, teriam suas alíquotas de tarifas aumentadas novamente. Há pouca chance de o Congresso votar a favor da prorrogação dessas tarifas, visto que os republicanos têm se aliado aos democratas recentemente para votar a favor de uma legislação que revogaria as tarifas sobre o Canadá. O plano parece ser que, quando as tarifas da Seção 122 expirarem em julho, o governo estará em posição de aumentar as tarifas das Seções 232 e 301, após concluir as investigações necessárias. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.