23/Feb/2026
O dólar fechou a sexta-feira (20/02) em queda firme no Brasil e novamente abaixo dos R$ 5,20, acompanhando o recuo da moeda norte-americana no exterior após a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitar tarifas comerciais impostas pelo presidente Donald Trump. O dólar fechou a sessão em baixa de 0,99%, a R$ 5,17, o menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024, quando encerrou em R$ 5,15. Na semana encurtada pelo Carnaval, a moeda norte-americana acumulou baixa de 1,03% e, no ano, queda de 5,69%.
O recuo do dólar no Brasil esteve em sintonia com a baixa quase generalizada da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior, após a Suprema Corte rejeitar as tarifas aplicadas por Trump com base em uma lei destinada a ser usada em emergências nacionais. O tribunal decidiu que a interpretação de que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) concede a Trump o poder de impor tarifas interferiria nas atribuições do Congresso e violaria a doutrina das "questões principais". Essa doutrina exige que as ações do Poder Executivo de vasta importância econômica e política sejam claramente autorizadas pelo Congresso.
Em reação, o dólar despencou ao redor do mundo, atingindo a cotação mínima do pregão de R$ 5,17 (-1,04%). Trump afirmou que assinará uma ordem para impor uma tarifa global de 10%, em conformidade com a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, e prometeu iniciar novas investigações comerciais. Segundo o banco Inter, o fim das tarifas reforça o movimento de reposicionamento global de portfólios estrangeiros, que favoreceu o Real e a bolsa brasileira, mas a principal consequência deve ser o aumento da volatilidade cambial diante da incerteza sobre os próximos passos do governo norte-americano.
Ainda assim, a tendência global de depreciação do dólar permanece. O Índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas, caía 0,09%, a 97,798. O Banco Central do Brasil vendeu apenas US$ 1 bilhão do total de US$ 2 bilhões ofertados em dois leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) simultâneos, para rolagem dos vencimentos de março. O Banco Central vendeu 35.100 contratos do total de 50.000 contratos de swap cambial tradicional, também para a rolagem de março. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.