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24/Feb/2026

Agro estima custo adicional com fim da escala 6x1

Um levantamento da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) estima que a redução da jornada de trabalho no regime 6×1, com corte da carga semanal de 44 para 36 horas, pode gerar custo adicional de R$ 4,1 bilhões por ano à agropecuária paranaense e exigir a contratação de 107 mil novos trabalhadores para manter o atual nível de produção. O estudo, elaborado pelo Departamento Técnico e Econômico (DTE) da entidade, foi divulgado nesta segunda-feira (23/02). O setor reúne 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual estimada em R$ 24,8 bilhões, já incluídos encargos como FGTS, INSS patronal, férias e 13º salário. Com a redução da jornada, seria necessária a recomposição de 16,6% da carga horária atual para cobrir o chamado "vácuo operacional", seja por meio de novas contratações ou do pagamento de horas adicionais.

O acréscimo de R$ 4,1 bilhões representa uma pressão direta sobre a rentabilidade do produtor rural, que já convive com custos e juros altos, falta de mão de obra e endividamento por conta das intempéries climáticas. Um aumento dessa magnitude na folha de pagamento traz insegurança e dificulta o planejamento das atividades no meio rural. O estudo aponta que o impacto varia entre as cadeias produtivas. Na avicultura e na suinocultura, o custo adicional estimado é de R$ 1,72 bilhão por ano, em razão do manejo biológico contínuo dos animais e das escalas ininterruptas nas plantas frigoríficas, que operam 24 horas por dia. Na cadeia de grãos, que inclui soja, milho e trigo, o efeito projetado alcança R$ 900 milhões anuais, concentrado nos períodos de pico de recebimento da safra e na logística de transporte.

No setor de laticínios, o impacto estimado é de R$ 570 milhões por ano, dado que o leite exige coleta diária e processamento imediato. Já nas cadeias de cana, café, fumo e hortifruti, o custo adicional calculado soma R$ 910 milhões anuais, em função da dependência de mão de obra em janelas curtas de colheita. O Brasil enfrenta infraestrutura logística deficitária, elevada carga tributária, complexidade regulatória e baixa qualificação média da força de trabalho e reduzir a jornada sem resolver esses problemas crônicos significa tirar mais competitividade no cenário mundial. O debate deve ocorrer em caráter técnico, envolvendo o setor produtivo, e não como "uma medida eleitoreira”, com diversos desdobramentos negativos para sociedade. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.