24/Feb/2026
Segundo o BTG Pactual, três anos de queda nos preços das commodities agrícolas comprimiram as margens dos produtores rurais ao limite. Agora, o ciclo começa a virar, mas sem rapidez. De um lado estão os produtores rurais; do outro, as indústrias processadoras. Quando os preços caem, o pêndulo beneficia os processadores, que compram matéria-prima mais barata. Quando sobem, a vantagem se inverte. Desde 2023, o pêndulo vinha favorecendo claramente as indústrias: os preços agrícolas recuaram 17% naquele ano, 13% em 2024 e mais 4% em 2025. Os preços atuais mal cobrem os custos e limitam os incentivos para aumento de produção. É justamente essa falta de estímulo que começa a reduzir a oferta e abrir espaço para uma correção. As projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmam o movimento, ainda que de forma contida. A área combinada de soja, milho, trigo e algodão nos Estados Unidos deve encolher 0,5% em 2026, com produção caindo cerca de 5%.
Os preços ao produtor sobem em todas as culturas, mas as relações estoque/uso permanecem elevadas, o que trava um repique mais forte. A recuperação não é um sprint. A soja é a cultura com perspectiva mais clara de melhora. A área plantada americana deve crescer 4,7% no próximo ciclo, reflexo de rentabilidade comparativamente melhor frente ao milho e ao trigo. A produção deve avançar 4,4%, após um 2025 marcado por queda de 7% na área plantada. O volume maior deve ser absorvido por dois fatores: a retomada das compras chinesas, que haviam despencado em 2025, e a expansão do esmagamento doméstico impulsionada por incentivos ao biodiesel. No ano passado, a China respondeu por apenas 20% das exportações norte-americanas de soja, muito abaixo da média histórica de 50%, derrubando o total exportado em 27%. O BTG projeta que as exportações se recuperem 8% no próximo ciclo, com a normalização do fluxo comercial após o acordo bilateral de novembro.
Mesmo assim, o preço médio ao produtor deve subir apenas 1%. O milho apresenta ajuste mais expressivo pelo lado da oferta. A área plantada cai 5% e a produção recua 7,4%, reduzindo a relação estoque/uso em 1,48%. O preço ao produtor deve subir 2,4%. O algodão segue trajetória parecida: área colhida 3% menor e queda de 5% nos estoques finais levam a relação estoque/uso de 32% para 30%, com preços subindo cerca de 5%. O trigo é o caso mais difícil: mesmo com produção menor, os estoques seguem altos e a relação estoque/uso avança para 47,2%, sem perspectiva de recuperação relevante nas cotações. Para o investidor, o momento é uma janela de entrada para aumentar exposição ao setor, com a ressalva de que os preços deprimidos ainda podem manter pressão sobre as ações no curto prazo. Nas proteínas, o cenário é o oposto. Custos de ração mais altos nos próximos anos tendem a apertar as margens dos frigoríficos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.