24/Feb/2026
O governo dos Estados Unidos anunciou que continua investigando o Brasil e a China com base na Seção 301, ferramenta de política comercial que permite aos americanos investigar e retaliar outras nações contra práticas comerciais consideradas injustas. Na sexta-feira (20/02), após a Suprema Corte do país derrubar as tarifas globais de longo alcance impostas pelo presidente Donald Trump, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) afirmou que a administração Trump vai continuar as investigações em curso com base na Seção 301, incluindo aquelas que envolvem o Brasil e a China. Se estas investigações concluírem que existem práticas comerciais desleais e que uma resposta ágil é justificada, tarifas são uma ferramenta que poderá ser imposta.
O governo norte-americano reforçou uma sobretaxa temporária de 15% sobre artigos de todos os países nos termos da Seção 122 da Lei de Comércio de 1974. O Brasil começou a ser investigado pelos norte-americanos no ano passado, em meio ao tarifaço de Trump que chegou a atingir as exportações brasileiras com taxas de 50%. Em 2025, os Estados Unidos comunicaram que a apuração abordaria "atos, políticas e práticas do governo brasileiro relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais injustas; interferência anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal". Entre as medidas que o governo norte-americano considerou prejudiciais ao abrir o expediente, em 2025, estavam a propriedade intelectual, existência de tarifas preferenciais para outros países, taxas mais altas para o etanol norte-americano, desmatamento ilegal e até mesmo o Pix.
Integrantes do governo brasileiro acreditam que ainda é muito cedo para fazer um prognóstico concreto sobre as mais recentes decisões do governo dos Estados Unidos sobre tarifas de importação. No entanto, ressaltam que a estratégia seguirá pelo caminho do diálogo entre os dois países. O resultado da balança comercial entre os dois países, favorável aos Estados Unidos, continua sendo citado nos bastidores do governo. É um dos principais motivos usados pelas autoridades brasileiras para mostrar que o tarifaço contra o Brasil é injustificado desde o início. Assessores do governo afirmam que é necessário insistir no diálogo nas próximas semanas. Lula e Trump devem se reunir nos Estados Unidos em março. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.