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24/Feb/2026

Decisão da Suprema Corte é positiva para o Brasil

A economia brasileira deve ser a mais beneficiada com a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar o tarifaço imposto pelo presidente norte-americano, Donald Trump, no comércio global. Segundo estudo publicado no dia 21 de fevereiro pelo Global Trade Alert (órgão independente que monitora em tempo real políticas governamentais que afetam o comércio internacional), com o novo regime em vigor a tarifa de importação para os produtos brasileiros deve ser reduzida em 13,6%. Na sequência, as economias mais beneficiadas seriam a China (redução de 7,1%) e a Índia (queda de 5,6%). Por outro lado, os países que se beneficiavam de uma tarifa mais baixa e que passaram a ser mais afetados pela decisão de Trump são Reino Unido (alta de 2,1%), Itália (avanço de 1,7%) e Singapura (alta de 1,1%.

O vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, avaliou que a decisão da Suprema Corte norte-americana de derrubar as tarifas nos Estados Unidos foi positiva para o Brasil. Como a alíquota agora é igual para todos, o País não perde competitividade. A queda das tarifas de Donald Trump traz duas vantagens para o País. Além de acabar com as alíquotas mais altas ao Brasil em relação a outros países, alguns itens brasileiros tiveram seus impostos zerados. Alckmin citou setores como o de combustível, carne, café, suco de laranja, celulose e aeronáutica. No setor de aeronaves e peças, Alckmin destacou que a alíquota que era de 10% caiu a zero. Nesse tipo de indústria, o comércio exterior é fundamental. A competitividade dos produtos brasileiros vai aumentar, na visão do vice-presidente. Ele enfatizou ainda que a tarifa média praticada pelo Brasil a produtos norte-americanos é de 2,7%.

Em relação às restrições impostas por Trump no âmbito da Seção 232, como as tarifas para aço, alumínio e cobre, Alckmin pondera que a medida vale para todos os países, então não há desvantagem ante outros países. A viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos em março será de mais negociações comerciais com a maior economia do mundo. Há uma avenida de negociação ainda, para questões não tarifárias. Embora não seja o maior comprador do Brasil, os Estados Unidos compram produtos industriais. O que preocupa é a chamada Seção 301. Para além do mercado norte-americano, o vice-presidente destacou que o Brasil alcançou o seu recorde de exportações em 2025, mesmo com o tarifaço de Trump. O montante superou U$S 348 bilhões, graças à diversificação de mercados. Alckmin disse ainda que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia deve ser aprovado em comissão da Câmara nesta terça-feira (24/02).

O Brunswick Group vê o Brasil como um dos principais vencedores do revés que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sofreu na Suprema Corte sobre as tarifas. No curto prazo, o Brasil é um dos grandes vencedores, porque antes do dia 20 de fevereiro, o nível geral de tarifas sobre as importações brasileiras era de 50%, sendo 25% referentes às tarifas recíprocas e outros 25% devido à questão envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Essas tarifas basicamente desapareceram a partir da meia-noite desta segunda-feira (23/02). No entanto, o Brasil não deve passar ileso a novas tarifas. Isso porque, após a decisão da Suprema Corte, os Estados Unidos devem acelerar investigações comerciais iniciadas contra países como Brasil, China, União Europeia, Japão e Coreia do Sul, em uma ofensiva para impor novas taxas.

Em julho do ano passado, a gestão Trump abriu investigação contra o Brasil, com base na Seção 301, para apurar se práticas e políticas do governo brasileiro seriam "irracionais ou discriminatórias" e se "oneram ou restringem o comércio dos Estados Unidos". Entre os focos estão comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, cobrança de tarifas preferenciais injustas, falha na aplicação de medidas anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal. Os Estados Unidos vão concluir essas investigações nos próximos cinco meses. E, uma vez concluídas, terão a possibilidade de recolocar algumas, embora não todas, as tarifas. Porém, não é esperado que as alíquotas dos Estados Unidos contra o Brasil voltem a valores próximos de 50%.

No geral, o Brasil sairá ganhando em relação à situação anterior, mostrando, francamente, a vantagem de ter resistido e não ter fechado um acordo antes da decisão da Suprema Corte. Mas, o Brasil não sairá impune, porque haverá tarifas substitutivas. Em reação à decisão da Suprema Corte, Trump assinou um decreto que cria uma nova taxa global temporária de 15%, com base na Seção 122 da Lei de Comércio, de 1974. Além do Brasil, países como Canadá e México já eram vencedores devido às isenções concedidas previamente. Por outro lado, outras nações, como Chile e Peru, que foram taxadas com alíquotas inferiores antes da decisão da Suprema Corte, podem estar entre as mais impactadas pela sobretaxa que Trump anunciou após a Suprema Corte invalidar seu poder de taxar o mundo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.