24/Feb/2026
Após oscilar abaixo dos R$ 5,14, o dólar se recuperou ante o Real e fechou esta segunda-feira (23/02) praticamente estável, ainda assim na menor cotação em quase 21 meses, enquanto no exterior a moeda norte-americana cedia ante boa parte das demais divisas. O dólar fechou em leve baixa de 0,14%, a R$ 5,16, o menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024, quando encerrou em R$ 5,15. No ano, a moeda acumula agora queda de 5,82%. No início da sessão, o dólar chegou a oscilar no território positivo no Brasil, com alguns investidores realizando lucros recentes, mas o movimento perdeu fôlego rapidamente, com exportadores aproveitando as cotações mais altas para vender moeda. No exterior, algumas moedas de emergentes e exportadores de commodities viraram também, passando a ganhar do dólar, como o Real. No Brasil, também tem fluxo, com o exportador vendendo dólar quando bateu em R$ 5,18. Neste cenário, após atingir a cotação máxima de R$ 5,19 (+0,30%), o dólar cedeu à mínima de R$ 5,13 (-0,72%), com o Ibovespa chegando a superar os 191 mil pontos.
No fim da sessão, porém, a divisa se reaproximou da estabilidade ante o Real. O recuo do dólar ante o real ocorreu em um ambiente de cautela dos investidores com os desdobramentos da nova ofensiva comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No sábado (21/02), Trump afirmou que elevará de 10% para 15% uma tarifa temporária sobre as importações dos Estados Unidos de todos os países, o nível máximo permitido por lei. Na sexta-feira (20/02), ele havia anunciado uma alíquota de 10%, após a Suprema Corte do país derrubar seu programa tarifário anterior. Trump disse que outras tarifas podem ser usadas de forma "muito mais poderosa e desagradável". No campo geopolítico, também seguiram no radar as tensões entre Estados Unidos e Irã, que indicou estar disposto a fazer concessões em seu programa nuclear em troca do fim das sanções norte-americanas e do reconhecimento de seu direito de enriquecer urânio. No Brasil, o boletim Focus divulgado pelo Banco Central mostrou que a mediana das projeções para o dólar no fim de 2026 passou de R$ 5,50 para R$ 5,45.
A expectativa para a taxa básica de juros no fim do ano foi de 12,25% para 12,13%. O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, cuja taxa de referência hoje está na faixa de 3,50% a 3,75%, vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao País, conduzindo as cotações do dólar a patamares mais baixos nos últimos meses. Nesta segunda-feira (23/02), não ocorreram operações do Banco Central no mercado de câmbio. Dos 750.000 contratos de swap que vencem em 2 de março, o Banco Central rolou até a última sexta-feira (20/02) 725.000 contratos. Em função do forte fluxo recente de recursos para o Brasil, o Banco Central tem espaço para não rolar integralmente os swaps cambiais e as linhas (operações de venda de dólares com recompra) que estão para vencer em março. No exterior, o dólar tinha queda de 0,28% em relação ao iene, a 154,62. O euro era negociado a US$ 1,1792, em alta de 0,10% no dia. Neste horário, o índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas, subia 0,33%, a 97,700. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.