25/Feb/2026
Segundo a Ajax Asset, o avanço das discussões políticas volta ao radar do mercado. A escolha do deputado Paulo Azi (União-BA) como relator da PEC que prevê o fim da escala 6x1 na CCJ sinaliza uma tramitação mais moderada, mas o próprio avanço da proposta já é visto como surpresa negativa. A mudança tende a elevar custos das empresas, especialmente micro e pequenas, possui caráter inflacionário e pode estimular a informalidade, além de reacender discussões sobre nova desoneração da folha. Outra preocupação é a volta do debate sobre a gratuidade no transporte público, defendida pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva no chamado "SUS do Transporte", com estudos conduzidos pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e articulação no Congresso liderada por Hugo Motta. A medida tem viés fiscal negativo, caráter eleitoral e pode gerar insegurança jurídica nos contratos de concessão, criando disputas judiciais e exigindo compensações via arrecadação; custo que, em última instância, recairia sobre os contribuintes.
Apesar dos ruídos domésticos, o Brasil ainda se beneficia do forte fluxo global para emergentes de juros elevados, o que ajuda a amortecer impactos no mercado de câmbio. O Banco Central vem recompondo reservas, com menor oferta de swaps e linhas, reforçando a proteção cambial. Em relatório distribuído a clientes, a Fitch Ratings, uma das três maiores classificadoras de risco do mundo, reitera que não irá elevar a nota do Brasil enquanto não houver um plano fiscal crível que garanta a estabilização da dívida pública no médio prazo. Atualmente, o País é classificado como grau especulativo, com nota BB, nível em que estacionou desde julho de 2023. Naquela ocasião, a agência melhorou a nota da economia brasileira, de BB- para BB, diante da aparente disposição do governo de Luiz Inácio Lula da Silva de dar prioridade à política fiscal. Em março de 2023 foi apresentado o plano do arcabouço que limitava o crescimento das despesas públicas a 70% do crescimento das receitas para estabilizar a dívida e prometia, já para o ano seguinte, zerar o déficit e alcançar superávit em 2025.
O arcabouço entrou em vigor em agosto daquele ano e já no mês anterior o Brasil comemorava o upgrade da Fitch, o primeiro desde 2018. Hoje, depois de tantos dribles ao arcabouço fiscal para cumprir metas que também ficaram menos rigorosas, percebe-se que o País vendeu apenas vento. A principal vulnerabilidade do Brasil é sua posição fiscal fraca. A nota BB da agência considera o nível de risco moderado e está a dois degraus do início da escada ocupada pelos países com "grau de investimento", economias consideradas seguras para os investidores. O Brasil passou a integrar o grupo em 2008, com a melhora das finanças e a manutenção do controle inflacionário, mas perdeu o selo em 2015. A partir de 2024, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, passou a prometer a retomada da nota para 2026. Não é o que o relatório da Fitch mostra.
Países considerados "grau de investimento" garantem crédito internacional mais barato e são mais relevantes para o chamado capital estruturante, aquele que permanece na economia local por meio de investimento direto. Os de alto risco interessam mais ao capital especulador, que transita em velocidade pelo mundo, em busca de taxas de juros mais rentáveis. Nas últimas semanas, o mercado financeiro tem vivido no Brasil a euforia de uma grande entrada de capital estrangeiro, como também está ocorrendo em outros mercados emergentes. O problema é que a enxurrada de dólares esconde gargalos, principalmente na América Latina, para além da conjuntura internacional, movida pela destrambelhada política de Donald Trump. Seja qual for o resultado eleitoral no Brasil, o País terá de voltar suas baterias a um ajuste fiscal firme, concentrado no corte de despesas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.