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25/Feb/2026

Incertezas em torno da política comercial dos EUA

A Fitch Ratings afirmou nesta segunda-feira (23/02) que a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de invalidar as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) reduziu de forma significativa a tarifa efetiva média do país, mas inaugurou um novo ciclo de incertezas em torno da política comercial norte-americana. A decisão da Corte destaca o sistema de freios e contrapesos no arcabouço institucional dos Estados Unidos, mas a incerteza em relação ao regime comercial permanece elevada, à medida que o governo mantém seu compromisso com tarifas elevadas e busca meios alternativos e duradouros para implementá-las. A decisão da Corte, no entanto, não esclarece se os valores já recolhidos pelas tarifas impostas por Trump desde maio do ano passado deverão ser devolvidos às empresas importadoras, o que cria incertezas jurídicas e operacionais adicionais.

Eventuais reembolsos podem chegar a US$ 175 bilhões (0,6% do PIB), pressionando ainda mais as contas públicas. As tarifas garantiriam uma arrecadação anual próxima de US$ 350 bilhões. Com a derrubada das cobranças vinculadas à IEEPA, a estimativa é de uma perda potencial de cerca de US$ 240 bilhões. Embora a tarifa temporária de 15% atenue o impacto no curto prazo, o cenário após o período de 150 dias segue indefinido e sujeito a novos desdobramentos. Cerca de 30% das empresas listadas em sua “Lista de Principais Preocupações do Mercado de Empréstimos” são direta ou indiretamente afetadas por tarifas. Empresas de pequeno e médio porte são vistas como particularmente vulneráveis, dada a menor capacidade de repassar custos e a menor diversificação operacional. Nas empresas classificadas como grau de investimento, o setor automotivo é apontado como o mais exposto à política comercial, devido à integração da cadeia produtiva na América do Norte.

O presidente da Queen's College e conselheiro econômico-chefe da Allianz, Mohamed El-Erian, considerado uma espécie de guru para Wall Street, fez um alerta em meio às incertezas tarifárias que vieram a reboque da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que invalidou o tarifaço do presidente Donald Trump, com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). O momento, na sua visão, pede cautela, pois o novo regime tarifário dos Estados Unidos ainda não é a "palavra final" para o comércio global. A substituição da IEEPA é temporária. Operadores temem os efeitos das ações do governo norte-americano para repor as tarifas canceladas pela Suprema Corte. A Casa Branca confirmou nesta terça-feira (24/02) a imposição de uma tarifa global temporária de 10% sobre as importações dos Estados Unidos, válida por 150 dias a partir desta terça-feira (24/02). No sábado (21/02), Trump havia dito que a alíquota subiria para 15%. A diferença entre as alíquotas pesou em Wall Street, levando os principais índices acionários de Nova York a encerrarem o pregão de segunda-feira (23/02) com perdas.

Agora, ensaiam um movimento de recuperação em meio à confirmação da alíquota de 10%. Além de a substituição da IEEPA ser temporária, também cria uma série de consequências não intencionais, incluindo a punição a aliados enquanto alivia a pressão sobre adversários comerciais dos Estados Unidos. Dentre os mais beneficiados, está o Brasil, que chegou a ter seus produtos taxados em 50% pelo governo Trump em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. É preciso esperar até que o regime tarifário evolua novamente nas próximas semanas, à medida que o governo norte-americano recorra a outras autoridades, diz o conselheiro econômico-chefe da Allianz. Mas, até lá, a incerteza deve continuar pesando nos mercados. Como exemplo, pode-se citar o fato de a União Europeia ter congelado a tramitação do acordo comercial com os Estados Unidos. Essa incerteza está afetando os países que negociam acordos e está complicando a tomada de decisões corporativas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.