27/Feb/2026
Segundo a Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc), a eventual redução da carga horária semanal de trabalho, em discussão no Congresso Nacional, poderá impor um impacto de R$ 10,8 bilhões por ano às cooperativas de Santa Catarina. Há risco de perda de competitividade e aumento de custos em cadeia. A diminuição da jornada de 44h para 40h ou 36h semanais, sem redução proporcional de salários, pode trazer efeitos severos para o setor. A redução da carga horária semanal de trabalho sem análise dos seus impactos nas diversas áreas da economia pode inviabilizar setores sensíveis. Atualmente, as cooperativas catarinenses empregam 102.402 trabalhadores diretos. No cenário de redução para 40 horas semanais, seria necessária a contratação de 12.394 novos empregados, um aumento de cerca de 13% sobre o quadro atual, com custo mensal estimado em R$ 74,3 milhões.
Na hipótese de jornada de 36 horas semanais, a necessidade subiria para 26.664 novas contratações, equivalente a aproximadamente 26% de expansão do quadro, com impacto mensal estimado em R$ 159,9 milhões. O ramo agropecuário concentraria a maior parte das admissões adicionais em ambos os cenários. Na simulação de 40 horas, seriam 11.516 novos trabalhadores no segmento, com custo mensal de R$ 69,1 milhões. No cenário de 36 horas, o número saltaria para 24.600 contratações, com impacto mensal de R$ 147,6 milhões. Além da elevação das despesas, o mercado de trabalho do Estado não teria mão de obra disponível para absorver essa demanda. A taxa de desemprego em Santa Catarina ficou em 2,3% no terceiro trimestre de 2025, patamar considerado de pleno emprego. Não existe mão de obra ociosa no Estado.
Por isso, os setores da agricultura, comércio e serviços terão dificuldade em contratar novos trabalhadores, o que tornará um desafio manter as linhas de produção, indústrias, lojas, granjas e frigoríficos funcionando. Além disso, o Brasil enfrenta baixa produtividade. No ranking da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o País ocupa a 94ª posição entre 184 nações avaliadas em produtividade do trabalho, atrás de países latino-americanos como Uruguai, Argentina, Chile e Cuba. A jornada média efetiva no Brasil é de 38,9 horas semanais, já inferior à de 97 países e territórios incluídos no levantamento, considerando trabalhadores formais, informais e do setor público. Para a Ocesc, a redução da jornada sem corte salarial pode pressionar preços e estimular a informalidade. O aumento dos custos operacionais será inevitável, pois a redução da jornada sem diminuição proporcional do salário aumenta o custo da hora de trabalho, gerando dois efeitos devastadores: perda de competitividade e inflação, em razão do aumento dos preços ao consumidor final.
Como alternativa, a sugestão é de que eventuais mudanças na jornada sejam tratadas por meio de acordos coletivos entre empregadores e empregados mediadas pelos seus respectivos representantes. A Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg) manifestou preocupação com a proposta de redução da jornada de trabalho e o possível fim da escala 6x1, alertando para os impactos que a medida pode trazer à agropecuária e ao abastecimento do País. A posição se soma a alertas recentes de outras entidades do setor. Na semana passada, a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) estimou custo adicional de R$ 4,1 bilhões por ano à agropecuária paranaense com a redução de 44 para 36 horas semanais, enquanto a Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc) projetou impacto de R$ 10,8 bilhões anuais às cooperativas catarinenses no mesmo cenário.
A Faemg fundamenta sua preocupação na Nota Técnica nº 123 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de 10 de fevereiro, que projeta elevação no custo do trabalho com a redução para 40 horas semanais. Na agricultura, pecuária e serviços correlatos, 96,57% dos vínculos formais seriam afetados, o equivalente a mais de 1,5 milhão de trabalhadores, com alta estimada de 9,62% no custo da hora trabalhada. O estudo aponta ainda o possível fechamento de cerca de 28 mil vagas na agropecuária. Atividades como leite, café e hortifrúti, onde a mão de obra representa parcela relevante dos custos de produção, seriam as mais vulneráveis. A entidade defende que qualquer mudança na legislação trabalhista seja conduzida com avaliação técnica rigorosa e diálogo com o setor produtivo, considerando as especificidades da produção rural e seus efeitos sobre a economia e a segurança alimentar. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.