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27/Feb/2026

Brasil: os riscos da nova política comercial dos EUA

A nova tarifa global de 10% sobre exportações para os Estados Unidos, recém-imposta pelo presidente Donald Trump, acabou beneficiando os países antes mais penalizados pelo republicano com sobretaxas draconianas, casos do Brasil, China e Índia. Desautorizado pela Suprema Corte norte-americana, que invalidou as tarifas impostas por Trump, em 2025, com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (Ieepa), o republicano contra-atacou imediatamente. Desde o dia 24 de fevereiro, exportações de todo o mundo destinadas aos Estados Unidos são, em geral, sobretaxadas em 10%. Trump chegou a anunciar uma alíquota maior, de 15%, mas por ora está em vigor, por um período de 150 dias, a de 10%. Depois disso, a tarifa só poderá ser cobrada com autorização do Congresso norte-americano. É assim que Trump reage ao que classifica como decisão "ridícula" e "antiamericana" da instância máxima de Justiça dos Estados Unidos, que na verdade apenas validou o que determina a Constituição: o poder de tributar pertence ao Congresso.

Em um primeiro momento, o Brasil se beneficiará da nova tarifa intempestiva de Trump porque muitas das exportações brasileiras para os Estados Unidos ainda estavam sujeitas a uma tarifa de 50%, e agora enfrentarão apenas 10% de sobretaxa. No fim do ano passado, pressionado pela carestia que machucava o bolso dos norte-americanos, Trump derrubou a chamada tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros como a carne e o café, mas itens como manufaturados e pescados seguiram penalizados com a taxa mais severa. De acordo com o Global Trade Alert, entidade que monitora políticas governamentais que afetam o comércio internacional, a taxa média efetiva cobrada sobre produtos brasileiros que adentram os Estados Unidos deve ficar em 10,8%. Antes da decisão da Suprema Corte era bem maior, de 26,3%. O vice-presidente Geraldo Alckmin, também titular do Ministério da Indústria e Comércio (MDIC), entende que a nova tarifa de Trump é positiva para o Brasil, já que, anteriormente, outros países pagavam alíquotas mais baixas.

Quase a metade das exportações brasileiras para os Estados Unidos passa a não pagar nenhuma tarifa adicional. De fato, como corrobora o Global Trade Alert, o “copo se apresenta meio cheio” para o Brasil. Ocorre que o cenário para o comércio global segue sendo de extrema incerteza. Apesar de correta, a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos gera novas e substantivas inquietações. A principal delas tem cifra: US$ 133 bilhões, o montante que os Estados Unidos arrecadaram até dezembro do ano passado com o tarifaço de Trump, agora declarado ilegal. Há dúvidas se tal montante será restituído. Em caso positivo, como e de que forma? São perguntas que ainda carecem de resposta, e que por ora deixam mercados e governos mundo afora em uma zona cinzenta. Além disso, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) segue com a investigação sobre práticas comerciais com base na Seção 301. No caso específico do Brasil, o USTR avalia as práticas e políticas do governo brasileiro que vão do acesso ao mercado de etanol, passando pelo desmatamento ilegal até serviços de pagamento eletrônico, são ou não desleais.

Tais investigações podem resultar em novas tarifas contra o Brasil. Por tudo isso, convém que o governo brasileiro siga se pautando pelo pragmatismo que felizmente, até agora, tem norteado o relacionamento com os Estados Unidos de Trump. Ademais, é preciso seguir investindo no aprofundamento de relações com outros parceiros comerciais. Nesse sentido, as visitas recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia e à Coreia do Sul, bem como o fechamento de acordos envolvendo terras raras com os indianos e a retomada das negociações envolvendo o Mercosul com os coreanos, são extremamente bem-vindas. Em relação aos Estados Unidos, a boa "química" estabelecida entre Trump e Lula enfrentará um teste de realidade, já que em breve o presidente brasileiro irá a Washington visitar o presidente norte-americano. Para que o copo do Brasil não se esvazie, além da boa conexão entre os dois líderes, é fundamental que a racionalidade impere. Segundo a Amcham Brasil, produtos que representam 34,9% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, o equivalente a US$ 14,9 bilhões, tiveram sobretaxas reduzidas para 10% ou mesmo eliminadas, como no caso das aeronaves.

O levantamento aponta um alívio no curto prazo com a decisão tomada no da 20 de fevereiro pela Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou tarifas que, para os produtos brasileiros, custavam de 40% a 50%. Após o julgamento, o governo norte-americano revogou essas tarifas, que variavam entre parceiros comerciais. Porém, também estabeleceu, para todos os países, uma tarifa global de 10%, cuja alíquota pode subir para 15%. Apesar do alívio a uma parcela relevante das exportações brasileiras, os riscos permanecem, dado que novas decisões podem ser tomadas pela política comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Entre elas, está a possibilidade de sanções contra o Brasil a depender da conclusão das investigações, com base na seção 301 da Lei de Comércio, sobre políticas e práticas que, para Trump, prejudicam empresas norte-americanas. Nesse sentido, o encontro previsto para o mês que vem, em Washington, entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump representa uma oportunidade de negociação.

A redução das sobretaxas traz impacto imediato ao melhorar as condições de competitividade das exportações brasileiras. No entanto, o avanço das negociações entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos continua sendo fundamental para evitar novas restrições comerciais e explorar oportunidades para ampliar o comércio e os investimentos bilaterais. Entre os itens que tiveram redução relevante de alíquotas no mercado norte-americano, pode-se citar máquinas e equipamentos, açúcar, madeira processada, transformadores elétricos, tratores agrícolas, tabaco, granito, café solúvel, álcool etílico industrial, derivados proteicos e diversos produtos manufaturados. Além das aeronaves, passaram a ficar totalmente livres de sobretaxas produtos como nióbio, metais industriais, turbinas, geradores, instrumentos automáticos e partes de aeronaves. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.