16/Mar/2026
O conflito militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã amplia os riscos para o comércio exterior brasileiro, especialmente para o agronegócio. Além dos impactos humanitários, a instabilidade geopolítica na região afeta rotas estratégicas do comércio internacional e pode gerar efeitos relevantes sobre exportações, custos logísticos e fornecimento de insumos. O Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica atualmente afetada pelo conflito, concentra grande fluxo do comércio global de petróleo e integra corredores logísticos utilizados no transporte de produtos agropecuários. Entre os principais itens da pauta exportadora brasileira que transitam pela região estão carne de frango, milho, açúcar e carne bovina. Em 2025, o Brasil exportou ao Oriente Médio US$ 12,572 bilhões em produtos agropecuários, volume equivalente a 25,121 milhões de toneladas.
Desse total, o Irã respondeu por US$ 2,920 bilhões e 11,532 milhões de toneladas, superando destinos tradicionais da região como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. A relevância do mercado regional também se reflete na composição das exportações brasileiras. O Oriente Médio absorveu 29% das exportações brasileiras de carne de frango, 31,5% do milho, 17% do açúcar e 6,5% da carne bovina no último ano. O Brasil também se consolidou como principal produtor e exportador global de carne halal, destinada a consumidores que seguem os padrões alimentares islâmicos. No curto prazo, existe a possibilidade de aumento da demanda por alimentos, associado à formação de estoques de segurança por países importadores. Movimentos semelhantes foram observados em episódios de instabilidade geopolítica ao longo dos últimos 15 anos.
O principal risco está relacionado à eventual ampliação ou prolongamento do conflito, cenário que poderia elevar significativamente os custos logísticos e comerciais. A região do Oriente Médio também possui relevância estratégica no fornecimento de insumos agrícolas, especialmente fertilizantes nitrogenados. Cerca de 15% das importações brasileiras desses fertilizantes têm origem na região, enquanto aproximadamente 45% das exportações globais de ureia transitam por rotas marítimas locais. As tensões geopolíticas também pressionaram o mercado de energia. A cotação do petróleo para entrega em maio superou o patamar de US$ 100 por barril, refletindo a incerteza associada à continuidade do conflito e à possível manutenção do bloqueio do Estreito de Ormuz. A elevação do petróleo possui impacto direto sobre os custos de produção agrícola, influenciando preços de insumos e despesas logísticas, incluindo fretes marítimos.
Caso rotas alternativas precisem ser utilizadas por período prolongado, os custos operacionais do comércio internacional podem se elevar de forma significativa. O agronegócio tem desempenhado papel central na sustentação da economia brasileira. Enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) do País registrou crescimento de 2,3% no último ano, o agronegócio avançou 11,7%, desempenho superior ao observado nos setores de serviços (1,8%), indústria (1,4%) e comércio (1,1%). Sem a contribuição do setor, a expansão da economia brasileira teria sido de aproximadamente 1,5%. O cenário reforça a importância de estabilidade macroeconômica e de condições estruturais favoráveis ao investimento, diante de um ambiente internacional marcado por crescente volatilidade geopolítica e comercial. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.