16/Mar/2026
O aumento das incertezas no comércio internacional no início de 2026 pode influenciar as negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. A avaliação consta no Indicador de Comércio Exterior (Icomex), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), que destaca o impacto de decisões recentes do governo norte-americano e das tensões geopolíticas no Oriente Médio sobre o ambiente global de comércio. Segundo a análise, as negociações bilaterais previstas entre os dois países podem ocorrer em cenários distintos de tarifação. Um deles considera a incidência de tarifas de até 50% sobre aproximadamente 22% da pauta exportadora brasileira destinada aos Estados Unidos. Outro cenário envolve alíquotas de 15%, o que alteraria significativamente as condições iniciais do processo de negociação.
No plano institucional, a Suprema Corte dos Estados Unidos invalidou a aplicação da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, instrumento utilizado para justificar medidas tarifárias anteriores. Em resposta, o governo norte-americano acionou a Seção 122 do Código de Comércio, mecanismo que permite a aplicação temporária de tarifas de até 15% por um período de 150 dias, redefinindo o ponto de partida para as negociações comerciais. Além das tensões comerciais, o cenário geopolítico internacional contribui para ampliar a volatilidade do comércio global. A escalada do conflito no Oriente Médio tende a gerar impactos indiretos sobre o comércio por meio da elevação dos preços do petróleo, aumento dos custos de transporte e logística e pressão inflacionária em diversas economias.
Para o Brasil, o encarecimento do petróleo pode gerar efeitos ambíguos. O País se beneficia como exportador de petróleo, mas permanece dependente da importação de óleo diesel, o que expõe o mercado doméstico a variações nos preços internacionais. O Oriente Médio respondeu por 4,6% das exportações brasileiras em 2025 e por 2,6% das importações. A região também possui relevância estratégica no fornecimento de insumos agrícolas, como fertilizantes nitrogenados. Omã respondeu por 14,8% das importações brasileiras de ureia no período. Apesar do ambiente externo mais incerto, a balança comercial brasileira apresentou melhora no primeiro bimestre de 2026. O superávit acumulado atingiu US$ 8,0 bilhões, acima dos US$ 1,9 bilhão registrados no mesmo período de 2025.
Em fevereiro, as exportações cresceram 15,6%, enquanto as importações recuaram 4,8%, com destaque para o aumento das vendas à China e para o avanço das importações de automóveis. No mesmo período, as importações brasileiras de automóveis de passageiros provenientes da China registraram expansão de 68,4%. A taxa de câmbio efetiva real apresentou valorização de 2,9% na comparação entre os primeiros bimestres de 2025 e 2026. A análise aponta que a volatilidade cambial tende a permanecer elevada no curto prazo, refletindo o fluxo de capitais para mercados emergentes em meio a juros elevados e ao ambiente de incerteza associado às tensões comerciais e geopolíticas globais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.