29/Apr/2026
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentou, nesta terça-feira (28/04), ao Ministério da Agricultura, as propostas do setor produtivo para o Plano Safra 2026/27, que começa em 1º de julho deste ano e se estende até 30 de junho de 2027. A entidade solicita, entre outros pontos, R$ 623 bilhões em recursos financiáveis para a temporada, 53,5% a mais do que os R$ 405,9 bilhões anunciados para o atual ciclo 2025/26 para todos os produtores (pequenos, médios e grandes) sem incluir as Cédulas de Produto Rural (CPRs). Um documento com as propostas para o plano agrícola e pecuário para agricultura empresarial e familiar foi entregue pela CNA ao ministro da Agricultura, André de Paula. Além dos recursos necessários para o financiamento da próxima safra, a entidade pleiteia previsibilidade do orçamento, planejamento plurianual, e medidas para o fortalecimento da saúde financeira do produtor, nos instrumentos de renegociação de dívidas, ampliação do acesso ao crédito e recursos para o seguro rural.
Do montante solicitado, a CNA propõe que R$ 400 bilhões sejam destinados ao custeio e à comercialização da safra da agricultura empresarial, ante R$ 226,2 bilhões da safra atual. Para linhas de crédito para investimentos de longo prazo, a demanda é de R$ 118,16 bilhões, frente aos R$ 101,5 bilhões previstos para a safra em curso. Ao todo, R$ 518,2 bilhões são pleiteados para médios e grandes produtores. Outros R$ 104,9 bilhões são pleiteados para a agricultura familiar em comparação com R$ 78,2 bilhões ofertados para os pequenos produtores na temporada atual. Para alcançar o montante de R$ 623 bilhões em recursos disponíveis serão necessários R$ 25,6 bilhões para subvenção pelo Tesouro das taxas de juros das linhas equalizadas, considerando novas operações e operações de investimento que não se esgotam neste ano.
Na Lei Orçamentária Anual de 2026 (LOA) é previsto orçamento de R$ 18,372 bilhões para subvenção econômica das operações oficiais de crédito. Portanto, será necessário suplementação ao orçamento para subsídio das operações de crédito rural. O plano agrícola e pecuário 2026/27 se insere em "contexto desafiador" para parte relevante dos produtores rurais. A combinação de aumento dos custos de produção, elevada incerteza, volatilidade dos preços agropecuários e taxas de juros ainda elevadas comprime margens e reduz a capacidade de investimento no campo. Esse cenário é ainda mais sensível em atividades expostas a riscos climáticos e de mercado, exigindo maior atenção na formulação de políticas públicas que garantam a continuidade e a sustentabilidade da produção agropecuária. Além da conjuntura adversa por fatores de mercado, há ainda o enfraquecimento do seguro rural.
A limitação orçamentária e a imprevisibilidade na alocação de recursos têm comprometido a efetividade do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), justamente em um momento de intensificação dos eventos climáticos adversos. A redução do alcance desse instrumento aumenta a vulnerabilidade dos produtores e eleva o risco sistêmico do setor. Impacta não apenas a produção, mas também o acesso ao crédito e a estabilidade da renda no campo. A entidade defende que, diante desse cenário, há necessidade de avanço para planejamento plurianual da política oficial de crédito rural, bem como para as políticas de mitigação. O setor demanda instrumentos com horizonte plurianual, que permitam maior estabilidade nas regras, nos limites e nas condições de financiamento, reduzindo a exposição a ciclos econômicos e a incertezas fiscais. Essa previsibilidade é essencial ao produtor rural, mas também para atrair investimentos privados e fortalecer o financiamento do agro no longo prazo.
O contexto internacional também é particularmente adverso, o que somado ao ambiente doméstico, compromete a viabilidade econômica da atividade agropecuária. Nesse cenário, o fortalecimento das políticas agrícolas passa a ser condição necessária para a estabilidade da produção, controle da inflação de alimentos e a garantia da segurança alimentar. Os impactos da escalada do conflito no Oriente Médio e do fechamento do Estreito de Ormuz sobre o setor agropecuário são diretos e imediatos. A elevação e a volatilidade dos preços dos insumos, especialmente dos fertilizantes, evidenciam a elevada dependência externa do Brasil. O preço da ureia acumula alta de 68% desde o início do conflito, o que leva produtores a postergarem a aquisição de fertilizantes, podendo refletir em menor pacote tecnológico adotado na safra. O documento foi desenvolvido com federações estaduais de agricultura e pecuária, sindicatos rurais, produtores e entidades setoriais e detalha dez pontos considerados prioritários pelo setor agropecuário. Veja abaixo as 10 propostas da CNA para o próximo Plano Safra:
1 - Possibilitar a construção de um novo modelo de Plano Agrícola e Pecuário Plurianual, com direcionamentos para programas prioritários;
2 - Garantir R$ 4 bilhões no orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) e a aprovação do Projeto de Lei nº 2.951/2024, que prevê a modernização do seguro rural;
3 - Assegurar efetivos R$ 623 bilhões no Plano Agrícola e Pecuário 2026/2027, sendo R$ 104,9 bilhões destinados à agricultura familiar e R$ 518,2 bilhões à agricultura empresarial, com recursos exclusivos do crédito rural tradicional;
4 - Promover medidas de apoio à saúde financeira do produtor rural e apoiar a aprovação do Projeto de Lei nº 5.122/2023;
5 - Atualizar e ampliar os limites de Renda Bruta Agropecuária (RBA) para enquadramento no Pronaf, no Pronamp e nas demais categorias de produtores;
6 - Apoiar e assegurar a aprovação da proposta de nova Lei do Agro ("Lei do Agro 3");
7 - Promover ajustes no ambiente de negócios do crédito rural, reduzindo burocracias, eliminando extrapolações infralegais e fortalecendo o combate à venda casada;
8 - Nos programas de investimento agropecuário, priorizar o RenovAgro, o PCA e o Proirriga;
9 - Ampliar os fundos garantidores para operações de custeio e investimento agropecuário;
10 - Ampliar os mecanismos de financiamento privado do agro no mercado de capitais.
Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.