29/Apr/2026
O Plano Safra 2026/27, que começa em 1º de julho deste ano e se estende até 30 de junho de 2027, será o de mais difícil construção, avalia o Ministério da Agricultura. Juros elevados, aperto orçamentário, efeitos da guerra no Oriente Médio e endividamento recorde no campo compõem a conjuntura. O cenário está mais complicado que o do ano passado, que era muito pressionado pela taxa de juros. Neste ano, observa-se repetição dos juros elevados, ainda dificuldades orçamentárias, com o agravamento da conjuntura com a guerra entre Estados Unidos e Irã e os efeitos principalmente no mercado de fertilizantes, em preços e abastecimento. O governo trabalha para ter um Plano Safra que seja adequado às necessidades do mercado.
Além dos efeitos da guerra na inflação do custo de produção e na conjuntura para a próxima safra, a expectativa inicial de trajetória de queda da taxa básica de juros, a Selic, já foi recalculada com a projeção de aumento na inflação de alimentos. O ano de 2026 iniciou com a perspectiva de queda dos juros, mas com o avançar da guerra, o cenário de Selic a um dígito está descartado. Haverá um arrefecimento, mas ainda longe do desejado para um componente que é muito importante na projeção de subvenção da safra. A intenção de obter juros de um dígito no financiamento da próxima safra continua sendo perseguida, mas vai depender da previsão orçamentária.
Ainda não há uma definição de governo quanto à equação entre maior volume de recursos para a safra e juros mais altos ou alívio nos juros e menor expansão de recursos, o que tem relação direta com o orçamento destinado pela União à equalização das taxas de juros subsidiadas pelo Tesouro. O tema ainda está em discussão. Os juros aplicados aos financiamentos da agricultura empresarial na safra atual variam de 8,5% a 13,5% por ano. Na safra atual, que termina em 30 de junho, o governo ofereceu R$ 69,1 bilhões para médios produtores por meio do Pronamp, R$ 258,6 bilhões em recursos para demais produtores e cooperativas e R$ 188,5 bilhões de CPRs originadas de recursos com direcionamento obrigatório para demais produtores.
Somando médios e grandes produtores, foram ofertados R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial, incluindo recursos de Cédulas de Produto Rural (CPRs) direcionadas - CPRs de produtores financiadas pelos bancos a partir de recursos captados pela emissão das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs). Até o fim de março, R$ 220,844 bilhões foram concedidos em financiamentos a médios e grandes produtores, queda de 6% em relação ao desembolsado em igual período da safra anterior, mostra levantamento mais recente do Ministério da Agricultura. Considerando os R$ 183,137 bilhões liberados via CPRs direcionadas de julho a março, o levantamento aponta para R$ 403,981 bilhões liberados nos primeiros nove meses da safra para agricultura empresarial, aumento de 10% na comparação entre as safras.
Nesse cenário de juros ainda elevados e maior cautela dos produtores rurais por novos investimentos, o custeio tende a ser novamente a prioridade dentro do Plano Safra da agricultura empresarial. Os juros ainda inibem o apetite do produtor por investimentos de longo prazo, como foi nos últimos dois anos, ao mesmo tempo com fertilizantes em alta, o custo de produção para a safra vai aumentar e, portanto, necessidade de maior custeio. Diante do incremento esperado para o custo de produção, com preços de fertilizantes elevados refletindo os efeitos da guerra, as análises preliminares da pasta apontam para manutenção da área plantada na próxima safra. A primeira leitura indica no mínimo manutenção de área. Alguns produtores pensam em segurar, outros em fazer rotatividade maior, adubar o solo de outras formas. A disponibilidade e os preços dos fertilizantes são a principal preocupação para a próxima safra.
Outra aposta do ministério para a safra é ampliar as fontes de crédito privado para irrigar o financiamento ao setor. Na safra atual, até março, o volume de recursos liberados via CPRs direcionadas cresceu 38%, para R$ 183,137 bilhões, enquanto houve retração no crédito rural oficial. As CPRs se tornaram uma grande alternativa para irrigar o mercado e diminuir a necessidade de crédito do produtor no Plano Safra, bem como os demais títulos apresentam crescimento. O ministério já recebeu as propostas das principais entidades setoriais e das instituições financeiras que operam os recursos subsidiados da política de crédito agrícola. Neste momento, a Pasta faz os cálculos antes de levar os pleitos até o Ministério da Fazenda e iniciar as discussões interministeriais dentro do Executivo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.