30/Apr/2026
A cooperativa de crédito Sicredi atribui ao modelo cooperativo, à proximidade com os associados e à expansão da rede física de agências o crescimento de 16% da carteira de crédito do agronegócio desde o início da safra 2025/26, mesmo em um cenário de juros elevados, aumento da inadimplência e retração do crédito rural no País. Segundo o gerente de Desenvolvimento de Negócios da instituição, Adilson de Sá, o incremento foi de R$ 53 bilhões, elevando a carteira agro para R$ 123 bilhões. "Como somos cooperativas, estamos próximos dos associados há muitos anos e seguimos expandindo nossa rede física, com abertura de agências, diferente do mercado, que tem enxugado estruturas", afirmou o executivo, durante a 31ª Agrishow, em Ribeirão Preto (SP). "Essa presença física e a gestão regionalizada fazem com que conheçamos muito mais os nossos associados."
A instituição liberou R$ 52,8 bilhões em crédito rural até março da safra 2025/26, alta de 16,5% ante igual período do ciclo anterior. Segundo ele, o banco cooperativo mantém atualmente cerca de R$ 120 bilhões em carteira no agro e segue como principal repassador privado de crédito rural do País. Apesar do avanço nas concessões, Sá reconheceu o aumento da inadimplência no setor, que saiu de cerca de 1% há dois anos para 3% atualmente na carteira da Sicredi. "Entre os bancos, a nossa taxa de inadimplência é a mais baixa", garantiu. Ainda assim, segundo ele, o índice segue como o menor entre os principais segmentos financiados pela instituição, abaixo de indústria, comércio, serviços e da pessoa física, cuja inadimplência chegou a 3,6%. "O agro ainda é o setor com menor porcentual de inadimplência. Se eu tenho hoje 3% de inadimplência, também preciso olhar que 97% da nossa carteira continua adimplentes, produzindo e necessitando de crédito", disse.
De acordo com ele, a elevação da inadimplência está ligada à redução da capacidade de pagamento dos produtores, diante do aumento do endividamento, do peso dos juros elevados e da compressão das margens no campo. A queda nos preços das commodities, a alta dos custos de produção, a valorização do dólar no início da safra e os impactos geopolíticos, como a guerra no Oriente Médio, também pressionam o setor. O presidente do Sicredi, Clemente Renosto, destacou que o atual cenário internacional afeta diretamente o custo de produção rural, especialmente com impactos sobre combustíveis, fertilizantes e insumos. Segundo ele, o ambiente exige maior planejamento financeiro e atuação mais próxima das instituições junto ao produtor. A escalada dos juros dificulta o financiamento do setor e a redução das taxas ao tomador final.
Segundo ele, uma eventual redução de 0,25% na Selic teria efeito praticamente nulo sobre o crédito. "Quando você sai de 14,75% para 14,50%, isso praticamente não mexe em nada no custo do dinheiro para o tomador final", afirmou. "Seria necessária uma redução muito mais forte para começarmos a perceber impacto real no crédito." Na avaliação do executivo, o próximo Plano Safra, do ciclo 2026/27, também deverá manter juros elevados, já que o cenário fiscal limita a possibilidade de redução das taxas subsidiadas. Segundo ele, o elevado gasto público obriga o governo a continuar oferecendo títulos com alta remuneração para financiar seu déficit, o que sustenta o patamar elevado dos juros. "Se os gastos não diminuírem, você não consegue baixar a taxa de juros para se financiar. E, sem isso, não consegue levar essa redução para o crédito final, seja no agro, na indústria ou para a pessoa física", concluiu. Fonte: Broadcast Agro.