18/May/2026
A Mata Atlântica registrou em 2025 o menor índice de desmatamento da série histórica iniciada em 1985, mas especialistas avaliam que a perda de vegetação nativa ainda permanece elevada para um bioma historicamente degradado. Dados divulgados pela Fundação SOS Mata Atlântica apontam redução de 28% no desmatamento monitorado pelo Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) da Mata Atlântica, desenvolvido em parceria com MapBiomas e Arcplan. A área desmatada caiu de 53.303 hectares em 2024 para 38.385 hectares em 2025. O monitoramento realizado em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontou desmatamento de 8.658 hectares de florestas maduras entre 2024 e 2025, recuo de 40% em relação ao período anterior. O volume representa o menor nível da série histórica do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica.
Apesar da redução, a perda registrada ainda equivale à eliminação de aproximadamente 33 campos de futebol por dia em áreas de matas maduras. O levantamento utiliza dois sistemas de monitoramento. Um deles acompanha grandes fragmentos florestais acima de três hectares por meio de imagens de satélite e possui série histórica mais longa. O segundo sistema, mais recente, opera com alertas semanais e consegue identificar desmatamentos a partir de 0,3 hectare, ampliando a capacidade de fiscalização. Especialistas avaliam que os resultados positivos observados na Mata Atlântica e em outros biomas estão relacionados principalmente ao endurecimento de medidas econômicas contra o desmatamento ilegal, incluindo restrições ao crédito rural e embargos sobre áreas irregulares. Ao mesmo tempo, o cenário atual evidencia a coexistência entre redução do desmatamento e recuperação florestal em algumas regiões, enquanto outras áreas permanecem sob forte pressão.
Segundo a avaliação apresentada pela Fundação SOS Mata Atlântica, o bioma pode tanto se tornar referência global no combate ao desmatamento quanto sofrer maior fragmentação em regiões mais vulneráveis. A Lei da Mata Atlântica também foi apontada como fator importante para a redução histórica das taxas de desmate observadas desde os anos 2000. No entanto, especialistas alertam que mudanças recentes relacionadas à Lei Geral do Licenciamento Ambiental podem elevar riscos sobre remanescentes florestais ao ampliar a possibilidade de autorização municipal para desmates em áreas de vegetação primária e secundária em estágio médio e avançado de regeneração. As regiões com maior pressão de desmatamento atualmente concentram-se no Vale do Jequitinhonha, entre Minas Gerais e Bahia, além de áreas do Piauí em transição com Cerrado e Caatinga.
Também há focos no Mato Grosso do Sul, em áreas de transição com o Pantanal, e no Paraná e Santa Catarina, embora os Estados do Sul tenham apresentado redução expressiva das perdas nos últimos anos. O Sistema de Alertas de Desmatamento identificou redução da derrubada em 11 dos 17 Estados abrangidos pela Mata Atlântica. Bahia e Piauí registraram as maiores quedas, embora permaneçam entre os principais responsáveis pela perda de vegetação do bioma. Em 2025, a Bahia registrou desmatamento de 17.635 hectares, Minas Gerais de 10.228 hectares, Piauí de 4.389 hectares e Mato Grosso do Sul de 1.962 hectares. Juntos, esses Estados concentraram quase 90% da área desmatada no período. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.