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18/May/2026

Dólar sobe com escalada de tensão no Oriente Médio

O dólar disparou e encerrou a sexta-feira (15/05) acima de R$ 5,05, impulsionado pelo fortalecimento global da moeda norte-americana, pela alta dos juros dos Treasuries e pelo aumento da aversão ao risco diante da escalada das tensões no Oriente Médio. No mercado doméstico, o câmbio também refletiu realização de lucros e maior cautela em relação ao cenário político brasileiro. O dólar fechou em alta de 1,63%, cotado a R$ 5,06, maior valor de encerramento desde 8 de abril. Na máxima do dia, a moeda atingiu R$ 5,08. Na semana passada, acumulou valorização de 3,55%. Em maio, a alta é de 2,32%, após queda de 4,36% em abril. No acumulado de 2026, o dólar ainda registra desvalorização de 7,67%.

O movimento foi influenciado principalmente pelo ambiente externo. O prolongamento do conflito no Oriente Médio elevou os preços do petróleo e reforçou temores inflacionários nos Estados Unidos, impulsionando os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano e fortalecendo o dólar frente a moedas emergentes. O contrato do petróleo Brent para julho avançou 3,35%, para US$ 109,26 por barril, acumulando ganho semanal de 7,87%. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, superou os 99 pontos e acumulou alta superior a 1,40% na semana passada.

As taxas dos Treasuries de dez anos avançaram para 4,59%, refletindo indicadores econômicos mais fortes nos Estados Unidos e percepção de inflação mais persistente. Ferramenta do CME Group passou a indicar quase 60% de probabilidade de elevação dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) em janeiro de 2027. No Brasil, o Real também foi pressionado por fatores políticos. O mercado reagiu à repercussão das revelações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, episódio apelidado por agentes financeiros de “Flávio Day 2.0”. Analistas avaliam que o episódio reduziu parte das apostas em mudanças na condução fiscal do País após as eleições presidenciais.

Segundo analistas, o Real apresentou desempenho pior que o observado em outras moedas emergentes devido à combinação entre fatores externos e incertezas políticas domésticas. O peso chileno, o rand sul-africano e o florim húngaro também sofreram perdas relevantes frente ao dólar. Apesar da pressão recente, parte do mercado ainda vê espaço para valorização do Real ao longo do ano, apoiada pelo desempenho das contas externas brasileiras. No entanto, a expectativa é de manutenção da volatilidade enquanto persistirem as incertezas sobre a condução da política monetária norte-americana e os desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.