ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

19/May/2026

Ministro da Agricultura participa de agendas na China

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, iniciou no domingo (17/05), em Xangai, a missão oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) à China. A primeira agenda da comitiva foi a participação no Seminário Brasil-China de Agronegócio, que reuniu empresários e representantes dos setores público e privado dos dois países para debater oportunidades de negócios, cooperação comercial e ampliação do intercâmbio agropecuário. Durante o encontro, o ministro destacou a importância estratégica da relação bilateral entre Brasil e China e o trabalho conduzido pelo Mapa para ampliar o acesso de produtos brasileiros ao mercado chinês. “O Ministério da Agricultura e Pecuária tem trabalhado de forma contínua para ampliar e diversificar essa parceria. Nos últimos anos, intensificamos o diálogo com a Administração-Geral de Aduanas da China, com o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais e com as demais autoridades chinesas, viabilizando a abertura de novos mercados e o aperfeiçoamento dos protocolos sanitários e fitossanitários que regem o comércio bilateral”, afirmou André de Paula.

O ministro também ressaltou o caráter prioritário da missão internacional. “Esta é a primeira etapa da minha primeira viagem internacional à frente do Ministério, e a escolha da China não é por acaso. Trata-se do principal parceiro comercial do Brasil. Tivemos a oportunidade de aproximar importadores chineses e empresários brasileiros, fortalecendo o diálogo e criando novas oportunidades de negócios”, disse. O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luis Rua, enfatizou os diferenciais da agropecuária brasileira no mercado internacional. “O Brasil reúne atributos fundamentais para atender à demanda global: qualidade, quantidade, sanidade, sustentabilidade, competitividade e estabilidade de fornecimento. Ou seja, é uma parceria que tem tudo para ser uma relação em que ganha o Brasil, ganha a China”, afirmou. Também presente no seminário, o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Muller, destacou o avanço da relação comercial entre Brasil e China nas últimas duas décadas.

Segundo ele, "o fluxo bilateral passou de cerca de US$ 8 bilhões, em 2003, para aproximadamente US$ 170 bilhões no último ano". O dirigente também ressaltou o crescimento das exportações brasileiras de proteínas animais para o mercado chinês, que saíram de menos de 100 mil toneladas para cerca de 1,7 milhão de toneladas no período. O embaixador do Brasil na China, Mauro Galvão, ressaltou a preparação das empresas brasileiras participantes e a importância da aproximação entre os setores produtivos dos dois países. “Estão aqui empresas selecionadas pelo Mapa e pela CNA para dialogar com compradores que conhecem o mercado, entendem o consumidor e têm capacidade de ampliar canais de distribuição e posicionamento dos produtos brasileiros”, afirmou. O diplomata também destacou o contexto do Ano Cultural Brasil-China e defendeu o fortalecimento de parcerias de longo prazo entre empresas brasileiras e chinesas, com foco em estabilidade comercial, promoção conjunta e ampliação do conhecimento mútuo entre os países.

O fortalecimento da relação agroalimentar entre os dois países passa pela diversificação da pauta exportadora e pela construção de parcerias de longo prazo. O Ministério da Agricultura e Pecuária seguirá atuando para fortalecer esse ambiente de cooperação, diálogo e desenvolvimento conjunto. Participaram do seminário empresas brasileiras dos segmentos de produtos apícolas, água de coco, café, açaí, nozes e castanhas, chocolates, geleias e polpas de frutas, evidenciando o potencial de agregação de valor e diversificação da pauta exportadora nacional. Entre 2023 e 2026, foram abertos 12 novos mercados na China para produtos agropecuários brasileiros, incluindo carne de aves e derivados, DDG de milho (dry distillers grains), farelo de amendoim, farinhas e óleos de origem animal e de pescado, gergelim, noz-pecã, pescado, sorgo e uvas. O avanço reflete o fortalecimento das negociações sanitárias e fitossanitárias conduzidas entre os dois países. Em 2025, as exportações do agronegócio brasileiro para a China alcançaram US$ 55,22 bilhões, mantendo o país asiático como principal destino dos produtos do setor.

O complexo soja liderou a pauta exportadora, com US$ 34,61 bilhões, o equivalente a mais de 62% do total embarcado. Também se destacaram carnes (US$ 9,82 bilhões), produtos florestais (US$ 5,06 bilhões), complexo sucroalcooleiro (US$ 1,90 bilhão) e fibras e produtos têxteis (US$ 872 milhões). No mesmo período, o Brasil importou US$ 1,59 bilhão em produtos agropecuários da China, com destaque para produtos florestais (US$ 501 milhões), fibras e têxteis (US$ 285 milhões), produtos hortícolas, leguminosas, raízes e tubérculos (US$ 169 milhões), demais produtos de origem vegetal (US$ 161 milhões) e rações para animais (US$ 116 milhões). Considerando todos os setores da economia, o comércio bilateral entre Brasil e China atingiu US$ 170,9 bilhões em 2025. A China respondeu por 28,7% das exportações brasileiras e por 42,6% do superávit comercial do país. A pauta exportadora brasileira para o mercado chinês segue concentrada em commodities, com destaque para soja, petróleo bruto e minério de ferro.

Ainda, o ministro da Agricultura participou, também no domingo (17/05), em Xangai, de um encontro com representantes de cooperativas brasileiras do setor agropecuário. A agenda foi promovida pela Ourofino Agrociência e integrou a missão técnica “Asia Expert”, que reúne lideranças do cooperativismo agrícola brasileiro em uma programação voltada ao fortalecimento das relações com mercados asiáticos, com passagens pela China, Coreia do Sul e Japão. Durante o encontro, o ministro destacou a importância de dar continuidade às agendas estratégicas do agronegócio brasileiro e reforçou o papel da China como principal parceiro comercial do Brasil. “Assumi o Ministério da Agricultura e Pecuária há cerca de 45 dias com o compromisso de dar continuidade a um trabalho construído com consistência ao longo dos últimos anos. E não é por acaso que uma das primeiras agendas internacionais é na China, nosso maior parceiro comercial. Precisamos seguir fortalecendo essa relação, ampliando oportunidades e consolidando o agro brasileiro como um dos pilares da segurança alimentar global”, disse.

A Ourofino Agrociência apresentou aos participantes o programa Asia Expert, iniciativa voltada à preparação estratégica do setor agropecuário brasileiro para atuação no mercado asiático. A Ásia deixou de ser uma agenda complementar e passou a ocupar posição estratégica para o futuro do Brasil. O programa Asia Expert foi desenvolvido justamente para aproximar lideranças do agro brasileiro das transformações em curso na região e contribuir para a construção de relações de longo prazo com parceiros asiáticos. Participaram do encontro representantes de cooperativas integrantes da missão, entre elas C.Vale, Lar Cooperativa Agroindustrial, Comigo, Copacol, Coopercitrus, Integrada Cooperativa Agroindustrial, Cotrijal, Copasul e Coplacana. Fonte: Ministério da Agricultura. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.