19/May/2026
Segundo o Bradesco, o aumento da probabilidade de ocorrência de um evento El Niño forte ou muito forte amplia o risco climático para a safra 2026/27 no Brasil, com maior exposição da região do Matopiba, que reúne áreas de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, além de impactos potenciais sobre o milho 2ª safra e o trigo. A análise tem como base estimativas da NOAA, que indicam 67% de probabilidade de aquecimento acima de 2°C nas águas do Pacífico Equatorial, nível associado a eventos de maior intensidade. O relatório também aponta aumento da probabilidade de manutenção do fenômeno até o início de 2027, o que estende o horizonte de risco para a próxima temporada agrícola. O padrão climático de El Niño mais intenso historicamente está associado a redução de produtividade da soja no Matopiba, além de perdas potenciais no milho segunda safra no Brasil e piora de qualidade no trigo.
Em contrapartida, tende a favorecer as safras de milho e soja nos Estados Unidos e na Argentina, devido a condições mais favoráveis de umidade nessas regiões. Os mapas climáticos indicam anomalias de precipitação e umidade do solo abaixo da média em partes do Brasil, reforçando o risco de irregularidade hídrica em áreas agrícolas estratégicas. O cenário climático ocorre em um momento de menor folga no balanço global de grãos para 2026/27, com projeções iniciais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicando redução da relação estoque/consumo para milho, soja e trigo. No milho, o aperto de oferta é mais evidente, com queda da produção global associada principalmente a Estados Unidos e Argentina. No trigo, a redução da safra norte-americana contribui para um balanço mais ajustado, no nível mais apertado dos últimos cinco anos.
Na soja, o mercado ainda apresenta maior equilíbrio relativo, sustentado pela expansão da produção global frente ao crescimento do consumo, mas com menor margem para choques de produtividade. O relatório estima produção global de soja em 2025/26 de 427 milhões de toneladas e consumo de 426 milhões de toneladas, com relação estoque/consumo de 29,3%, indicando menor folga estrutural. Esse quadro reduz a capacidade de absorção de eventuais perdas climáticas relevantes. No Brasil, a safra 2025/26 de soja segue em trajetória de recorde, com produção estimada em 177,847 milhões de toneladas, alta de 3,7% em relação ao ciclo anterior, e colheita já próxima de conclusão. As exportações permanecem em ritmo elevado, com média diária de 856 mil toneladas em maio, acima da média histórica para o período. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.