ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

20/May/2026

ONU vê desaceleração global com crise geopolítica

A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou que a fragmentação geopolítica, o avanço das tensões tarifárias e o agravamento da crise no Oriente Médio aumentam os riscos para a economia global, pressionando comércio, inflação, cadeias de suprimento e fluxo internacional de tecnologia. As avaliações constam do relatório semestral “Situação e Perspectivas da Economia Mundial 2026”. A ONU projeta crescimento global de 2,5% em 2026 e de 2,8% em 2027, abaixo das estimativas anteriores de 2,7% e 2,9%, respectivamente. Em cenário adverso, com o petróleo Brent superando temporariamente US$ 150 por barril, o crescimento mundial poderá desacelerar para 2,1% em 2026 e 2,6% em 2027. O relatório aponta que o fechamento do Estreito de Ormuz e o avanço das tensões no Oriente Médio elevaram os preços internacionais de combustíveis, fertilizantes e alimentos, pressionando cadeias globais de abastecimento.

A ONU revisou para cima a projeção de inflação global em 2026 para 3,9%, aumento de 0,8 ponto porcentual em relação à estimativa de janeiro. O comércio mundial deverá desacelerar para expansão de 2,7% em 2026, após crescimento de 5% em 2025. A ONU avalia que tarifas, disputas comerciais e políticas industriais vêm reconfigurando fluxos globais de comércio, com economias asiáticas redirecionando exportações para parceiros regionais, União Europeia, América Latina e África diante das restrições de acesso ao mercado norte-americano. A fragmentação geopolítica passou a representar risco estrutural para a produtividade global no médio prazo. A ONU cita o aumento do uso de controles de exportação, barreiras comerciais e restrições a investimentos estratégicos, incluindo limitações dos Estados Unidos sobre semicondutores avançados, a política de autonomia estratégica da União Europeia e os programas chineses de autossuficiência tecnológica.

O avanço dessas medidas ameaça reduzir a difusão tecnológica internacional, elevar custos de produção, fragmentar ecossistemas globais de inovação e limitar ganhos de eficiência associados ao comércio internacional. Os países emergentes e de baixa renda tendem a ser os mais afetados, devido à maior dependência de financiamento externo, importações de energia e alimentos e transferência internacional de tecnologia. Para os Estados Unidos, a projeção é de crescimento de 2% em 2026 e 2027, abaixo da expansão de 2,1% registrada em 2025. O relatório aponta que juros elevados, alta dos custos energéticos e desaceleração do investimento devem limitar a atividade econômica, embora investimentos ligados à inteligência artificial ainda sustentem parte da expansão. Na China, a projeção é de desaceleração do crescimento de 5% em 2025 para 4,6% em 2026 e 4,5% em 2027.

A entidade destaca que o país possui menor vulnerabilidade imediata ao choque energético do Oriente Médio devido à composição de sua matriz energética e ao nível de reservas estratégicas, embora a fraqueza do setor imobiliário e a desaceleração das exportações permaneçam como fatores de risco. Para o Brasil, a ONU manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,0% para 2026, abaixo da expansão estimada de 2,3% em 2025. Para 2027, a expectativa é de crescimento de 2,3%. A desaceleração da economia brasileira reflete principalmente as condições monetárias restritivas, em referência ao nível elevado da taxa Selic. Ainda assim, medidas de estímulo à renda, como reajustes do salário-mínimo e ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, devem sustentar parcialmente a demanda doméstica.

A entidade também destacou a resiliência do mercado de trabalho brasileiro e o avanço de políticas industriais ligadas à Nova Indústria Brasil, com apoio de financiamento público e incentivos setoriais. A ONU alertou ainda que a combinação de inflação elevada, juros altos, menor fluxo de capitais e desaceleração econômica poderá ampliar riscos fiscais e sociais, especialmente em economias emergentes dependentes de importações de combustíveis e alimentos. Famílias de baixa renda tendem a ser as mais afetadas pela alta de preços, aumentando riscos de insegurança alimentar e pobreza. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.