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20/May/2026

El Niño avança no Pacífico sob novo critério da NOAA

O Oceano Pacífico Equatorial atingiu pela primeira vez anomalias de temperatura da superfície do mar compatíveis com El Niño na região Niño 3.4 sob o novo sistema de monitoramento adotado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). Os dados divulgados nesta semana apontaram anomalia de +0,5°C na faixa Centro-Leste do Pacífico Equatorial, nível mínimo considerado característico do fenômeno pelo novo Índice Niño Oceânico Relativo (RONI). O resultado representa a primeira semana em que a região alcança patamar de El Niño pelo novo critério da NOAA. Pelo método anterior, conhecido como Índice Niño Oceânico (ONI), a anomalia atual está em +0,9°C, configurando a quinta semana consecutiva em nível de El Niño. As leituras anteriores registraram +0,5°C na semana de 15 de abril, +0,8°C na semana de 22 de abril e +0,9°C nas semanas de 29 de abril, 6 de maio e 13 de maio.

Apesar do aquecimento observado, a NOAA ainda não considera caracterizado oficialmente o início do fenômeno. O reconhecimento formal exige persistência do aquecimento por várias semanas consecutivas e acoplamento entre as condições oceânicas e atmosféricas. Pelo critério antigo, o Pacífico já estaria muito próximo da declaração oficial de El Niño, semelhante ao ocorrido em 2023, quando o fenômeno foi reconhecido no início de junho. A NOAA implementou neste ano a substituição do ONI pelo RONI para adaptar o monitoramento ao contexto de aquecimento global. O modelo anterior utilizava médias históricas fixas de 30 anos para calcular as anomalias da temperatura da superfície do mar. Com o aumento contínuo da temperatura média global dos oceanos, a NOAA avaliou que o método poderia distorcer a intensidade real dos eventos de El Niño e La Niña.

O novo índice considera o aquecimento global de fundo e compara a temperatura do Pacífico Equatorial com o restante dos oceanos tropicais, permitindo separar com maior precisão o sinal natural da variabilidade climática da tendência estrutural de aquecimento. A mudança também altera comparações históricas entre eventos passados e atuais, uma vez que o oceano global apresenta atualmente temperaturas significativamente superiores às observadas em décadas anteriores. Os principais modelos climáticos internacionais indicam fortalecimento do aquecimento do Pacífico ao longo do inverno e intensificação do El Niño no segundo semestre. As projeções concentram o pico do fenômeno entre outubro e dezembro de 2026, com possibilidade de intensidade forte a muito forte. O modelo climático europeu ECMWF elevou em maio as projeções de aquecimento na região Niño 3.4 para níveis próximos de +3,2°C pelo critério ONI até o fim de 2026, com alguns cenários variando entre +2°C e +4°C.

Se confirmado, o evento poderá rivalizar com os episódios de 1997/98 e 2015/16, considerados entre os mais intensos da série histórica. O modelo climático norte-americano CFS também projeta um El Niño de forte intensidade, com aquecimento acima de +3°C pelo critério ONI e entre +2,5°C e +2,7°C pelo RONI. Meteorologistas monitoram ainda a possibilidade de novos episódios de ventos de Oeste no Pacífico no fim de maio, condição que pode reforçar a transferência de calor para a superfície oceânica. No Brasil, os impactos potenciais incluem redução das chuvas nas Regiões Norte e Nordeste, aumento do risco de queimadas na Amazônia e no Pantanal, temperaturas acima da média nas Regiões Centro-Oeste e Sudeste e aumento das chuvas na Região Sul do País. Historicamente, episódios de El Niño favorecem eventos extremos no Sul, com maior frequência de enchentes, temporais e ciclones, principalmente entre inverno e primavera do primeiro ano do fenômeno e no outono do ano seguinte. Fonte: MetSul Meteorologia. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.