21/May/2026
A inadimplência das famílias brasileiras avançou em 2026 e passou a pressionar o consumo nas principais capitais do País, segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). A pesquisa Radiografia do Endividamento de 2026 mostra que Belo Horizonte (MG) lidera o ranking nacional de inadimplência, enquanto João Pessoa (PB) apresenta o menor índice de famílias com contas em atraso. Na capital mineira, 65% das famílias tinham ao menos uma conta vencida no início deste ano. O percentual era de 50% no fim de 2023, subiu para 55% em 2024 e avançou mais 10% em 2026. Em sentido oposto, João Pessoa registrou apenas 15% das famílias inadimplentes. Em Teresina (PI), o índice alcançou 40% das famílias. O estudo também aponta elevada pressão das dívidas sobre a renda familiar.
Na média nacional, 30% da renda das famílias é destinada ao pagamento de dívidas, incluindo compromissos não necessariamente em atraso. Entre as capitais com maior comprometimento da renda estão Teresina (PI), com 42,4%, Natal (RN), com 35,6%, e Macapá (AP), com 35,5%. No Distrito Federal, o comprometimento da renda com dívidas corresponde a 22%. Goiânia (GO) registra 26%, enquanto Palmas (TO) e Aracaju (SE) apresentam 27%, próximas da média nacional. Em valores absolutos, Florianópolis (SC) possui o maior volume médio mensal de dívidas familiares entre as capitais, em R$ 6,4 mil. O impacto é parcialmente compensado pela elevada renda média familiar da capital catarinense. Em Belo Horizonte (MG), as dívidas mensais médias se aproximam de R$ 5 mil, enquanto a renda familiar média é de R$ 8,2 mil, elevando o risco de inadimplência e comprometendo a capacidade de manutenção do consumo.
O avanço do endividamento e da inadimplência afeta tanto o consumo essencial quanto itens de segunda necessidade, reduzindo o dinamismo do varejo e aumentando a vulnerabilidade financeira das famílias. O levantamento também mostra que o percentual de famílias endividadas voltou a crescer no Brasil. O índice era de 78% em 2023, recuou para 76% em 2024 e atingiu 80% em 2026. Entre as capitais com situação mais crítica estão Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Vitória (ES) e Rio de Janeiro (RJ). Na direção oposta, Macapá (AP) e São Paulo (SP) registraram 69% de famílias endividadas, seguidas por Campo Grande (MS) e Belém (PA), com 70%, e Florianópolis (SC), com 73%. O cenário reforça a necessidade de ampliação das políticas de educação financeira e de conscientização sobre uso do crédito, organização do orçamento doméstico e sustentabilidade do consumo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.