21/May/2026
O Banco Central informou que os impactos da elevação das tarifas de importação dos Estados Unidos em 2025 foram mais intensos nas Regiões Sudeste e Sul do Brasil, tanto em valor quanto em volume exportado, especialmente entre agosto e novembro do ano passado, período de maior incidência das alíquotas. As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram de US$ 40,4 bilhões em 2024 para US$ 37,7 bilhões em 2025, redução de US$ 2,7 bilhões, equivalente a 0,1% do PIB brasileiro e a 0,8% das exportações totais do País. O maior impacto ocorreu na Região Sudeste, onde as vendas aos Estados Unidos caíram de US$ 28,7 bilhões para US$ 27 bilhões, retração equivalente a 1,0% das exportações regionais. Na Região Sul, a queda foi de 1,5%, com embarques passando de US$ 5,2 bilhões para US$ 4,3 bilhões. Na Região Centro-Oeste, as exportações permaneceram praticamente estáveis, enquanto as Regiões Norte e Nordeste registraram leve avanço.
Entre os Estados, as maiores reduções ocorreram no Rio de Janeiro, de US$ 7,4 bilhões para US$ 6,6 bilhões; em Minas Gerais, de US$ 4,6 bilhões para US$ 4,3 bilhões; e no Paraná, de US$ 1,6 bilhão para US$ 1,2 bilhão. Em relação ao PIB estadual, o Espírito Santo apresentou a maior retração proporcional, equivalente a 0,55% da atividade econômica local. O Banco Central identificou que a queda de 6,7% no valor exportado para os Estados Unidos foi puxada principalmente pela retração de 5,6% no volume embarcado, enquanto os preços recuaram 1,2%. O comportamento é compatível com choques tarifários, que tendem a afetar prioritariamente as quantidades exportadas. Na Região Sudeste, o volume exportado caiu 4,4%, enquanto na Região Sul a retração atingiu 14,5%. Em Minas Gerais, a redução das exportações de café contribuiu para o desempenho negativo, embora os preços mais elevados da commodity tenham amenizado parcialmente os efeitos. Em São Paulo, a queda refletiu menor embarque de produtos industrializados e semimanufaturados.
No Rio de Janeiro, apesar de o petróleo não ter sido diretamente tarifado, houve redução nas exportações de combustíveis, associada ao aumento da incerteza. Na Região Sul, o recuo foi disseminado, com destaque para máquinas e produtos de madeira. As exportações de carne bovina também diminuíram em volume, embora os preços mais altos tenham reduzido o impacto financeiro da retração. Parte das exportações brasileiras pode ter sido redirecionada para outros mercados, uma vez que as vendas externas totais do País cresceram no período. A autoridade monetária concluiu que, apesar do impacto agregado limitado, os efeitos regionais foram relevantes para determinados Estados e setores produtivos. Para 2026, o cenário pode mudar em função de fatores como a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou tarifas globais impostas por Donald Trump, a adoção posterior de novas tarifas de 10%, a manutenção das taxas sobre aço e alumínio e a investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos contra o Brasil. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.