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21/May/2026

Plano Safra 2026/2027 enfrenta desafios fiscais

O próximo Plano Safra se desenha como um dos maiores desafios do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em meio a restrições fiscais, juros elevados e um ambiente de crédito mais restritivo, ao mesmo tempo em que a relação entre o Executivo e o agronegócio se torna mais sensível no contexto político e eleitoral. O programa, previsto para lançamento em julho, ocorre em um cenário de maior disputa por apoio do setor agropecuário, que tem peso relevante nas articulações eleitorais e no Congresso Nacional. O ambiente político envolve ainda reorganização de alinhamentos dentro do segmento, com diferentes forças buscando influência sobre a posição do agronegócio nas eleições. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) avalia que o momento do setor é marcado por forte pressão simultânea em custos de produção, crédito mais caro e restrito, elevação de despesas com insumos, diesel e frete, além de preços mais baixos de commodities e dificuldades no acesso ao seguro rural.

Esse conjunto de fatores contribui para aumento do endividamento no campo. Dados da Serasa Experian indicam que o agronegócio registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, alta de 56,4% em relação ao ano anterior e o maior volume da série iniciada em 2021. A inadimplência rural também avançou, atingindo 8,3% da população do campo no terceiro trimestre do ano passado, evidenciando deterioração das condições financeiras de parte dos produtores. Nesse contexto, a renegociação de dívidas rurais passou a ser considerada elemento central para viabilizar o funcionamento do próximo Plano Safra, uma vez que o acesso ao crédito depende diretamente da capacidade de pagamento e da regularidade financeira dos produtores. A avaliação dentro da gestão federal aponta que, sem medidas voltadas ao endividamento, a base de produtores aptos a contratar financiamento tende a ser menor.

O cenário também reflete a estratégia recente do governo de ampliar mecanismos de crédito e estímulos econômicos como forma de sustentação da atividade produtiva e do consumo, com iniciativas de renegociação de dívidas e expansão de linhas de financiamento. Esse movimento, embora com efeitos de curto prazo sobre a atividade, tende a gerar maior pressão fiscal e impacto sobre o custo do crédito ao longo do tempo. No setor agropecuário, o desafio do Plano Safra passa a ser calibrar o volume de recursos e as condições de financiamento de forma compatível com o nível de endividamento já existente, evitando que a expansão de crédito em um ambiente de fragilidade financeira resulte em maior alavancagem dos produtores. O desenho do programa é visto como determinante para a relação entre governo e agronegócio no período, em um contexto em que o equilíbrio entre apoio ao setor produtivo e sustentabilidade fiscal se torna mais restrito. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.