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22/May/2026

Descontrole ambiental impactará no Agronegócio

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) alertou que a série de projetos de lei aprovada nesta semana pela Câmara dos Deputados durante o chamado "Dia do Agro" "pode agravar os riscos climáticos para o agronegócio brasileiro, ao enfraquecer a fiscalização ambiental, a proteção de áreas preservadas e a implementação de políticas climáticas no País. As medidas aumentam a vulnerabilidade da produção agrícola em um cenário de mudanças climáticas mais severas. O agronegócio brasileiro depende diretamente da manutenção das florestas e do regime de chuvas para garantir produtividade e estabilidade nas safras. O que está sendo atacado por esses projetos é o meio ambiente, mas também a produtividade do País, a estabilidade do plantio e a capacidade do Brasil de colocar comida no prato de boa parte do planeta.

Entre as medidas mais combatidas por entidades ambientais está o Projeto de Lei 2.486/2026, que tira quase metade do território da Floresta Nacional do Jamanxim e cria a Área de Proteção Ambiental do Jamanxim, em Novo Progresso, no Pará. O texto, que ainda segue para o Senado, retoma a redução dos limites da Flona do Jamanxim para passagem da ferrovia EF-170 (Ferrogrão) na área. O substitutivo desmembra 486.438 hectares da floresta, de um total de 1,3 milhão de hectares, para conversão em área de proteção ambiental, que permite maiores intervenções na área. Pelo projeto, a Flona do Jamanxim ficará com cerca de 814.686 hectares. O projeto prevê que a Área de Proteção Ambiental do Jamanxim e a Flona do Jamanxim serão administradas pelo Instituto Chico Mendes.

O Ipam ainda cita relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) segundo o qual o Brasil deverá responder por quase metade do crescimento da oferta global de alimentos até 2050. Cerca de 90% da agricultura brasileira depende da chuva, o que torna a instabilidade climática um fator de risco econômico e social para toda a cadeia produtiva. O Ipam também menciona estudo publicado na revista científica Nature apontando que 28% das propriedades de soja e milho do Centro-Oeste já operam fora das condições climáticas consideradas ideais. Sem investimentos em adaptação e políticas públicas voltadas ao clima, esse percentual pode chegar a 50% na próxima década e a 70% em 30 anos, comprometendo a viabilidade econômica da atividade agrícola. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.