22/May/2026
A formação de um novo episódio de El Niño no segundo semestre apresenta alta probabilidade, segundo nota técnica conjunta de Inpe, Inmet, Funceme e Censipam. Embora a intensidade do fenômeno ainda seja incerta, os riscos associados incluem aumento da seca na Amazônia e na Região Nordeste, ocorrência de temporais na Região Sul e pressão adicional sobre reservatórios, agricultura, energia, logística e inflação. O cenário climático ocorre em um contexto de maior aquecimento dos oceanos e intensificação de eventos extremos, com sistemas globais sob maior tensão. A interação entre choques climáticos e fatores econômicos, como preços de fertilizantes impactados por conflitos geopolíticos, crédito agrícola mais caro, vulnerabilidade energética e instabilidade logística, tende a ampliar os efeitos sobre custos de produção, transporte, seguros e inflação.
Episódios recentes reforçam esse quadro de vulnerabilidade, como a seca amazônica de 2023, que afetou rotas fluviais essenciais para abastecimento e transporte, e enchentes na Região Sul, que provocaram danos a infraestrutura urbana e logística. No mesmo período, a inflação de alimentos registrou alta de 8,2% em 2024, com contribuição relevante do último El Niño. O Brasil dispõe de capacidade técnica consolidada de monitoramento e previsão climática, com identificação de áreas mais suscetíveis a eventos extremos, como regiões agrícolas com irregularidade de chuvas e bacias hidrográficas sob risco de estiagem ou excesso de precipitação. Apesar disso, especialistas apontam que a estrutura institucional de prevenção e adaptação não acompanha o nível de conhecimento disponível.
Dados orçamentários indicam baixa priorização da agenda climática, com menos de 0,6% das emendas parlamentares individuais de 2026 direcionadas ao tema ambiental e climático. Ações de Defesa Civil e prevenção de desastres receberam valores reduzidos, incluindo ausência de recursos para drenagem urbana e valores simbólicos para contenção de cheias. A avaliação é de que o sistema político ainda concentra esforços em medidas reativas, com maior peso para respostas emergenciais após eventos extremos, enquanto ações preventivas tendem a receber menor alocação de recursos. Nesse contexto, a adaptação climática é apontada como componente central para a gestão de riscos econômicos e sociais associados a eventos climáticos recorrentes. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.